quarta-feira, 28 de março de 2012

SEXTAS-SÉRIES - LETRAS DA MÚSICAS E DOS CONTOS RELACIONADOS NO CADERNO DO ALUNO

Eduardo e Mônica


Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"

Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal", não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de "camelo"
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Egotrip


Um indivíduo alto magro vestindo um terno azul (quem vem lá quem será?)
Desceu de um coletivo às quatro e meia de manhã (olha lá quem será?)
Atravessou a rua assoviando uma canção
Só uma suspeita silhueta na escuridão
Tem um cara na esquina
(O que ele tem na mão?)
Tem um cara na esquina
(Qual será sua intenção?)
Não foi difícil entral no edifício mil e três
Da avenida copacabana bloco cinco posto seis
O porteiro disse que ouviu o vento soprar
E alguma coisa estranha vindo lá do nono andar
Tem um cara na escada
(O que ele tem na mão?)
Tem um cara na escada
(Qual será sua intenção?)
Quem é? (sou eu)
Quem é? (sou eu princesa, o batata)
Batata, a essa hora
Ah! desculpe princesa mas tinha que ser agora
Ai deixa pelo menos eu vestir alguma coisa
Hum! você tá linda
Sabe o que é princesa
Hoje eu encontrei a pessoa que eu procuro (jura)
Bom se isso te satisfaz eu juro eu juro disse que juro (oh!batata)
Uma pessoa que eu quisesse comigo vinte e cinco horas por dia
Uma pessoa que me entendesse que eu pudesse confiar
Oh batatinha eu eu sinto isso também
E essa pessoa princesa (diz diz)
Essa pessoa (diz)
Sou eu!
Eu te amo eu me adoro | bis
Eu não consigo te ver sem mim
Hei! vamos ver o sol nascer ali na praça
Você faz café ou quer que eu faça
Ah! já não sei mais se eu quero que você vá ou que você fique
Nem sei que eu quero aturar sua egotrip porque ...refrão
Ninguém entendeu quando o dia amanheceu
Os dois pelados na praça da bandeira cantando o samba da mangueira
Quando chegaram os camburões
Saíram assoviando o hino da república dos camarões
Eu te amo eu me adoro | bis

O Meu Guri


Quando, seu moço
Nasceu meu rebento
Não era o momento
Dele rebentar
Já foi nascendo
Com cara de fome
E eu não tinha nem nome
Prá lhe dar
Como fui levando
Não sei lhe explicar
Fui assim levando
Ele a me levar
E na sua meninice
Ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega suado
E veloz do batente
Traz sempre um presente
Prá me encabular
Tanta corrente de ouro
Seu moço!
Que haja pescoço
Prá enfiar
Me trouxe uma bolsa
Já com tudo dentro
Chave, caderneta
Terço e patuá
Um lenço e uma penca
De documentos
Prá finalmente
Eu me identificar
Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega no morro
Com carregamento
Pulseira, cimento
Relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar
Cá no alto
Essa onda de assaltos
Tá um horror
Eu consolo ele
Ele me consola
Boto ele no colo
Prá ele me ninar
De repente acordo
Olho pro lado
E o danado já foi trabalhar
Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí!
É o meu guri e ele chega!

Chega estampado
Manchete, retrato
Com venda nos olhos
Legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente
Seu moço!
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato
Acho que tá rindo
Acho que tá lindo
De papo pro ar
Desde o começo eu não disse
Seu moço!
Ele disse que chegava lá
Olha aí! Olha aí!

Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí
Olha aí!
E o meu guri!...(3x)



CONTOS

Acontece para quem acredita

Era um jovem pescador muito pobre, que vivia sozinho numa praia distante. Tinha um pequeno barco em que saía à noite para pescar e, no dia seguinte, vendia os peixes no povoado mais próximo. Certa vez uma onda enorme tragou o barquinho, mas, na manhã seguinte, acordou em sua cabana miserável e viu que tudo era como sempre tinha sido. Veio à sua lembrança uma bela moça que o socorrera em meio às águas e o carregara para seu palácio no fundo do mar. Nesse momento, riu de si mesmo e disse alto:

- Você sonhou com a Mãe D’Água. Foi só.

Levantou-se para ir tomar água, sua garganta queimava de sede. Quando ergueu a caneca para beber viu um anel brilhando em seu dedo.

- Que é isso?

De repente se lembrou de uma cerimônia em que ele recebera aquele anel, no palácio  no fundo do mar.

Uma coisa dessas não podia ter acontecido. Mas o anel continuava um mistério.

Em seguida sentiu uma dúvida terrível: e se estivesse morto?

O jeito era se olhar no espelho, pois ouvira contar que fantasmas não refletem imagem. Claro que era tão pobre que nem tinha espelho em casa.

E se quando fosse vender o peixe no povoado, se olhasse no espelho da barbearia?

Será que tinha pescado alguma coisa? Só se lembrava daquela onda gigante que engolira seu barco. Correu até a praia e não viu o barco. Quem estava lá era a linda moça que o salvara na hora do naufrágio.
Ela sorriu e disse:

- Você não quis ficar na minha casa, vim morar na sua, afinal agora somos casados. Disse isso e estendeu a mão para ele.

Ele viu então que ela usava um anel igual ao que brilhava em seu dedo.

Respondeu:

- Venha.

Caminharam abraçados e, ao chegarem ao lugar onde ficava a cabana, ela não existia mais. Lá, agora, erguia-se um palácio e havia gente entrando e saindo.

A moça disse:

- É o meu povo das águas.

De repente, ele notou que estava vestido com roupas luxuosas em vez dos trapos de antes.

Sem dúvida a Mãe D
’Água o escolhera para marido e não havia força humana que pudesse mudar isso.

Viveram felizes por algum tempo. Mas, se ele não tinha gostado de morar no palácio no fundo do mar, ela começou a se cansar
de viver em terra firme.

Ficava horas diante do mar rodeada por seu povo das águas. O palácio permanecia abandonado. Ninguém cuidava de nada, tudo era deixado na maior desordem.

Um dia ele pronunciou as palavras fatais que ela o proibira de dizer em qualquer circunstância.

- Arrenego o povo do mar!

Era o que todos esperavam para voltar às profundezas do oceano. Suas palavras valeram como sinal para a debandada.

A moça e todos os serviçais foram cantando para dentro do mar e sumiram nas águas.

O pescador olhou para si mesmo e viu que suas roupas de luxo também tinham sumido. Estava outra vez vestido de trapos. Quando voltou para casa, só encontrou o casebre de antes, não havia nem rastro de algum palácio.

Ao entardecer, sentiu saudades da Mãe D’Água e foi até a beira da praia. Lá estava seu velho barquinho, antes desaparecido. O pescador entrou nele e tomou o rumo do quebra-mar.

De repente uma grande onda o envolveu e seu pensamento foi:

- Será que tudo vai acontecer de novo?

Conto de Edy Lima, ilustrado por Joana Lira



A gata apaixonada

Quando perguntam como é que eu consegui sair com a Carla, eu respondo que foi por causa do Aldemir Martins. O pintor famoso.

Eu estava, tranqüilo, estudando. Juro. Lá pelas 3 da tarde o telefone tocou. Era ela, a vizinha da casa 3.

A mãe morreu há uns quatro anos. O pai é superciumento, não a deixa sair de casa nunca.

- Oi, Rodrigo... Você tem um gato grande, malhado?

- Tenho. O nome dele é Sorvete.

- Sorvete?

- Quando a gente encosta a mão, ele se derrete todo.

- Ele briga com a minha gata, a Tati. Já aconteceu várias vezes. Acho que é ciúme.

- De outro gato?

- Não. De um quadro. Uma pintura. Do Aldemir Martins.

Dez minutos depois eu estava na sala da casa dela. Só nós dois.

- Você vai ver - ela disse.

- É sempre na mesma hora. Já ouviu falar do Aldemir Martins?

- Já. É um pintor famoso pra caramba. Mora aqui em São Paulo.

- Morava. Morreu há pouco tempo. Minha mãe era apaixonada pela pintura dele. Ele ilustrava livros, revistas, jornais... Pintava cangaceiros, galos, passarinhos, peixes...

- Tô sabendo. Desenhava até rótulos de maionese, de vinho...

- Minha mãe comprava tudo que podia. A gente comia em pratos desenhados por ele, tinha lençóis, tapetes, cortina de banheiro...

Carla me levou pra um canto da sala. Em cima de uma imitação de lareira, havia uma tela do Aldemir Martins, pequena, com o desenho de um gato. Um gato gordo, vermelho e azul, um focinho enorme, mostrando as garras, sedutor, os olhos verdes calmos, hipnóticos.

- Minha mãe adorava esse quadro.

Então ela me puxou pra trás de uma cortina pesada, que cobria a vidraça que dava pro jardim.

Tati entrou na sala. Pulou pro beiral da falsa lareira e parou em frente ao quadro, olhando pro gato pintado. Ficamos assim uns 20 minutos, escondidos, calados. Até que ele apareceu. O velho Sorvete. O gato mais descolado do pedaço. Veio gingando, passou entre os móveis, parou na frente da lareira, olhou pro alto e não gostou nada do que viu.

Carla segurou no meu braço.

Sorvete pulou pro beiral.

Briga de gato é mais rápido que videogame. Tati pulou, atravessou uma janela aberta e fugiu pro jardim, com o Sorvete atrás.

- Minha mãe dizia que um artista é capaz de recriar a vida. Se Deus existe, com certeza é um artista. Mas acho que você vai ter de trancar o Sorvete em casa, Rodrigo. Não gostei daquilo.

- Não, Carla. A gente encontra outro jeito. Pra mim as pessoas, os bichos, qualquer coisa que se mexa... têm de ter liberdade. Têm de ter uma janela aberta.

- Mas o Sorvete é meio selvagem...

- Isso. É assim que eu gosto dele. Eu também sou meio selvagem. Sabe o que eu faço? Eu como o tomate inteiro. Eu não fico esperando a minha mãe partir e colocar na salada!

Ela riu. Não sei de onde eu tirei essa história do tomate. Aí me empolguei, e ia dar mais exemplos de como eu era selvagem, mas a cortina se abriu de repente e o pai dela apareceu.

O cara ficou nervoso, quase chamou a polícia, mas depois a gente explicou, ele se arrependeu e acabou até deixando a filha sair comigo.

Eu e a Carla estamos namorando. Juro.

Conto de Ivan Jaf, ilustrado por Andrea Ebert



Aconteceu na caatinga

Era meio-dia e a caatinga brilhava à luz incandescente do Sol. O pequeno Calango deslizou rápido sobre o solo seco, cheio de gravetos e pedras, parando na frente do majestoso Mandacaru, que apontava para o céu seus espinhos, os grandes braços abertos em cruz.

- Mandacaru! Mandacaru! Eu ouvi os homens conversando lá adiante e eles estavam dizendo que, como a caatinga está muito seca e cor de cinza, vão trazer do estrangeiro umas árvores que ficam sempre verdes quando crescem e estão sempre cheias de folhas.

- Mas que novidade é essa? - falou a Jurema.

- Coisa de gente besta - disse o Cardeiro, fazendo um muxoxo irritado e atirando espinhos para todo lado.

- Eu é que não acredito nessas novidades - sussurrou o pequeno e tímido Preá.

A velha Cobra, cheia de escamas de vidro e da idade do mundo, só fez balançar a cabeça de um lado para o outro e, como se achasse que não valia a pena falar, ficou em silêncio.

E no outro dia, bem cedinho, os homens já haviam plantado centenas de arvorezinhas muito agitadas, serelepes e faceiras, que falavam todas ao mesmo tempo na língua lá delas, reclamando de tudo: do Sol, da poeira, dos bichos e das plantas nativas, que elas achavam pobres, feias e espinhentas. Enquanto falavam, farfalhavam e balançavam os pequenos galhos, que iam crescendo, ganhando folhas e ficando cada vez mais fortes.

Enquanto isso, as plantas da caatinga, acostumadas a viver com pouca água, começaram a notar que essa água estava cada vez mais difícil de encontrar. As raízes do Mandacaru, da Jurema e do Cardeiro cavavam, cavavam e só encontravam a terra seca e esturricada.

O Calango então se reuniu com os outros bichos e plantas para encontrar uma solução. E foi a velha Cobra quem matou a charada:

- Quem está causando a seca são essas plantinhas importadas e metidas a besta! Eu me arrastei por debaixo da terra e vi o que elas fazem: bebem toda a nossa água e não deixam nada para a gente.

- Oxente! - gritou o Calango. - Então vou contar isso aos homens e pedir uma solução.

Mas logo o Calango voltou, triste e decepcionado.

- Os homens não me deram atenção - disse. - Falaram que eu não tenho instrução, não fiz universidade e que eu estou atrapalhando o progresso da caatinga.

E todos os bichos e plantas ficaram tristes, mas estavam com tanta sede que nem sequer puderam chorar: não havia água para fabricar as lágrimas. Por muitos dias ficaram assim e quando estavam à beira da morte houve um movimento: era o Preá, que levantou o narizinho, farejou o ar e, esquecendo a timidez, gritou:

- Estou sentindo cheiro de água!

- É mesmo! - gritaram todos.

- O que será que aconteceu? - perguntou a Jurema.

- Eu vou ver o que foi - e o Calango saiu veloz, espalhando poeira para todos os lados.

O Mandacaru estirou os braços, espreguiçou-se e sorriu:

- Estou recebendo água de novo! Hum... É muito bom! Mas vejam! O Calango está de volta com novidades!

E espichando meio palmo de língua de fora, morto de cansado pela carreira, o Calango contou tudo.

- As pequenas bandidas verdes, depois de beber quase toda a água da caatinga, estavam ameaçando a água dos rios e dos açudes perto das cidades. Os homens então viram o perigo e deram fim a todas elas. Estamos salvos!

E todos ficaram alegres, sentindo a água subir pelas raízes. Olharam para o céu azul da caatinga, aquele céu claro, o Sol brilhante, olharam uns para os outros e viram que eram irmãos, na mesma natureza, no mesmo tempo, na mesma Terra.

E a velha Cobra, desenroscando-se toda lentamente, piscou o olho e concluiu:

- É como dizia minha avó: cada macaco no seu galho!

Conto de Clotilde Tavares, ilustrado por Flavio Morais



A menina e o sapo

Nina, menina airosa, formosa como ela só.
Bonito era ver Nina correr.
Ora corria rápido, feito tufão, ora devagar, parecendo brisa.

Nina corria pelo jardim.
Nina caía no gramado.
Nina fazia folia. E ria.

À noite, cansada das travessuras do dia, a menina dormia.

Certa vez, enquanto passeava pelo jardim, Nina viu um sapo.
Sapo também viu Nina.
"Será que, se Nina beijar o sapo, sapo vira príncipe?"
Nina não sabia, mas ficava imaginando como isso seria.

Nina beijou o sapo.
Sapo continuou sapo.
Não virou príncipe.
Mas se apaixonou por Nina.

Agora, onde Nina está, lá se vê o sapo apaixonado suspirando pela menina.

Na cabeça do sapo, Nina é uma princesa-sapa, transformada em menina por uma terrível feiticeira.

Marcia Paganini Cavéquia, autora deste conto, é pós-graduada em Metodologia do Ensino pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).



Moinho de Sonhos

A mulher e o menino iam montados no cavalo; o homem ia ao lado, a pé. Andavam sem rumo havia semanas, até que deram numa aldeia à beira de um rio, onde as oliveiras vicejavam.

Fizeram uma pausa e, como a gente ali era hospitaleira e a oferta de serviço abundante, resolveram ficar. O homem arranjou emprego num moinho próximo à aldeia. A mulher se juntou a outras que colhiam azeitonas em terras ao redor de um castelo. Levou consigo o menino que, no meio do caminho, achou um velho cabo de vassoura e fez dele o seu cavalo. Deu-lhe o nome de Rocinante.

Ao chegar aos olivais, o pequeno encontrou o filho de outra colhedeira - um garoto que se exibia com um escudo e uma espada de pau.

Os dois se observaram à distância. Cada um se manteve junto à sua mãe, sem saber como se libertar dela. Vigiavam-se. Era preciso coragem para se acercar. Mas meninos são assim: se há abismos, inventam pontes.

De súbito, estavam frente a frente. Puseram-se a conversar, embora um e outro continuassem na sua. Logo esse já sabia o nome daquele: o menino recém-chegado se chamava Alonso; o outro, Sancho.

Começaram a se misturar:

- Deixa eu brincar com seu cavalo?, pediu Sancho.

- Só se você me emprestar sua espada, respondeu Alonso.

Iam se entendendo, apesar de assustados com a felicidade da nova companhia.

Avançaram na entrega:

- Tá vendo aquele moinho gigante?, apontou Alonso. Meu pai sozinho é que faz ele girar.

- Seu pai deve ter braços enormes, disse Sancho.

- Tem! Mas nem precisava, respondeu Alonso. Ele move o moinho com um sopro.

Sancho achou graça. Também tinha uma proeza a contar:

- Tá vendo o castelo ali?, apontou. Meu pai disse que o dono tem tanta terra que o céu não dá para cobrir ela toda.

- E se a gente esticasse o céu como uma lona e cobrisse o que está faltando?, propôs Alonso.

- Seria legal, disse Sancho. Mas ia dar um trabalhão.

- Temos de crescer primeiro.

- Bom, enquanto a gente cresce, vamos pensar num jeito de subir até o céu! - disse Alonso.

- Vamos!, concordou Sancho.

Sentaram-se na relva. O cavalo, a espada e o escudo entre os dois. Um sopro de vento passou por eles.

Já eram amigos: moviam juntos o mesmo sonho.

João Anzanello Carrascoza

Autor deste conto, é publicitário, professor da Universidade de São Paulo (USP)
e autor de livros infantis, entre eles, Aprendiz de Inventor (Ed. Ática).



Não somos figurinhas

Uma menina muito ressabiada. Era como se tivesse medo de gente. Família, padrinhos, vizinhos e professores não conseguiam entender o que a impedia de viver em paz com seus iguais.

"Mas o problema é justamente esse", gesticulava ela, amaciando com seus dedinhos o pêlo macio de seu gato magro, branco e preto - o Bandidão. "Não somos iguais, não somos iguais, é tudo mentira. Eu olho para a Pati, o Ivan, o Ademir, a Tatá e só vejo diferenças."

Os adultos se entreolhavam desanimados e pediam mais explicações. "Como diferentes, minha filha? Somos seres humanos, gente igual a você, iguais entre nós: duas pernas, dois bracinhos, dois olhos, uma língua, um cérebro, dez dedos na mão, dez no pé..."

Bandidão não estava nem aí para aquela conversa sempre tão óbvia. Entediado, deu um pinote, abandonando o colo de sua dona. Mas, ainda no ar, enquanto preparava suas patas para uma aterrissagem em segurança, ouviu sair dos lábios dela, também como um pinote, algo que a garota nunca havia dito: "E quem não tem duas pernas? Ou não escuta? Ou tem dois olhos, mas um é de vidro? Ou é muito feio? Aí não é gente? Para ser gente não basta nascer? E os bebês, não são diferentes? Por que vocês insistem em me convencer de que somos iguais? Gente não é como figurinha, que nós arrumamos em fila, deixando de lado as amassadas e as rasgadas para decidir o que fazer com elas depois".

Bandidão estava emocionado. Entendera tudo, ora pois pois. A menina não tinha medo de gente. Acuada, sofria por outras razões. Faltava-lhe era coragem para discordar do pensamento dos adultos.

Confiante por ter conseguido, enfim, explicar sua angústia para os pais, ela experimentou uma sensação nova: sentiu pressa, muita pressa de ir para a escola. Pela primeira vez, sentia prazer em ser gente. Dedicou um último olhar de amor para Bandidão e seguiu pela rua.

Conto de Claudia Werneck, ilustrado por Orlando



O Grande Encontro

Era uma vez um Autor com uma vaga ideia para uma nova história. E como nessa história tinha vaga de verdade para um grande Personagem, pensou em começar sua busca colocando um anúncio no jornal.

"Procura-se um Personagem disposto a viver aventuras eletrizantes. Não é necessário ter experiência no tema, mas algumas características serão especialmente consideradas: um certo preparo físico, raciocínio rápido e personalidade carismática."

O primeiro candidato a se apresentar foi logo dizendo:

- Participei de passagens importantes de muitos livros famosos, imortalizados por personagens estrelados.

- Ah, parabéns! O senhor tem razão. Os grandes personagens não envelhecem. Mas, se entendi bem, o senhor nunca foi o protagonista desses enredos, certo? Enfim... É uma pena, mas um coadjuvante de idade avançada não é o que busco. Desculpe!

Dois dias e muitas páginas amassadas depois, o Autor recebe outro candidato - um tipo muito sincero, mas bastante imaturo.

-Já passei por muitas imaginações, mas...

- Mas?

-Nunca cheguei ao papel...

- Ah...

- Tenho muito potencial, mas...

- Mas?

- Preciso de alguém que acredite em mim, que me decifre e me revele com todas as letras, entende?

- Você é muito interessante. Mas...


Na semana seguinte, com a cabeça embaralhada e ainda sem um herói à vista, o Autor começa a pensar em outras possibilidades e, repentinamente, tem uma grande ideia: e se o narrador transformasse a própria aventura em Personagem? Animado, ele já ia colocar o texto em ação quando o telefone toca.

- Bom dia. Posso falar com o Autor?

- E o senhor é...?

- O Personagem.

- Ah, claro, o anúncio...

- Exato, o anúncio. Muito bem escrito, por sinal.

- ...?

- Quantos livros o senhor publicou?

- ... !?!

- Alô? Alô, o senhor está na linha?

- Sim... Claro, estou ouvindo... Continue, por favor!

- Desculpe! Espero que não me leve a mal, mas preciso saber um pouco mais sobre o seu estilo, como é o seu processo criativo, quais gêneros o senhor domina, se tem livros premiados... É que não me encaixo com naturalidade em qualquer texto. Tenho que sentir alguma consistência literária, entende?

O Autor experimentou vários estados de espírito. No início, ficou atônito. Mais que isso, catatônico! Depois, a palavra certa seria "irritado". Mas, pouco a pouco, foi se sentindo, como dizer?, impressionado! Pois, à medida em que respondia às perguntas do Personagem, foi se surpreendendo mais e mais com suas próprias palavras.

No dia seguinte, conversaram de novo. E no outro, outra vez.

Trocaram ideias durante tanto tempo que acabaram se tornando grandes amigos. Anos depois, eram tão íntimos que um logo adivinhava o que o outro tinha acabado de pensar e, juntos, inventaram histórias fabulosas.

Silvana Tavano, autora deste conto, é jornalista, autora de livros infatis e juvenis e escreve no blog Diários da Bicicleta.



A cartomante

Machado de Assis

Hamlet observa a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

- Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...

- Errou! - interrompeu Camilo, rindo.

- Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...

Camilo pegou-lhe nas mãos e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...

- Qual saber! Tive muita cautela ao entrar na casa.

- Onde é a casa?

- Aqui perto, na rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.

Camilo riu outra vez.

- Tu crês deveras nessas coisas? - perguntou-lhe.

Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muita coisa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.

Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se. Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada.Por quê? Não poderia  dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros e foi andando.

Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda Velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.

Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo e foi a bordo recebê-lo.

- É o senhor? - exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. - Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.

Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vinte e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência nem intuição.

Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.

Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; ela mal, ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as coisas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as coisas que o cercam.

Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.

Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.

Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.

Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.

- Bem - disse ela -, eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...

Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo  divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.

No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: "Vem já, já, à nossa casa; preciso falarte sem demora". Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas coisas com a notícia da véspera.

- Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora - repetia ele com os olhos no papel.
Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando na pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperandoo para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.

Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então - o que era ainda pior - eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Ditas, assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéia, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.

"Quanto antes, melhor", pensou ele; "não posso estar assim..."

Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra.

Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino. Camilo reclinou-se no tílburi para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:

- Anda! Agora! Empurra! Vá! Vá!

Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras coisas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: "Vem já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas coisas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários, e a mesma frase do príncipe da Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais coisas no céu e na terra do que sonha a filosofia..." Que perdia ele se...?

Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés,  o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para o telhado dos fundos. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.

A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa e disse-lhe:

- Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...

Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.

- E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não...

- A mim e a ela - explicou vivamente ele.

A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez das cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.

- As cartas dizem-me...

Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável muita cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.



- A senhora restituiu-me a paz ao espírito - disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.

Esta levantou-se, rindo.

- Vá - disse ela -; vá, ragazzo innamorato...

E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse a mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.

- Passas custam dinheiro - disse ele afinal, tirando a carteira. - Quantas quer mandar buscar?

- Pergunte ao seu coração - respondeu ela.

Camilo tirou uma nota de dez mil-réis e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.

- Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...

A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.

Tudo lhe parecia agora melhor, as outras coisas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.

- Vamos, vamos depressa - repetia ele ao cocheiro.


E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer coisa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: - Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.

A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.

Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se e apareceu-lhe Vilela.

- Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?

Vilela não lhe respondeu: tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.



Conto de escola

Machado de Assis

A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segunda-feira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar amanhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.

Na semana anterior tinha feito dois suetos e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. Era um velho empregado do Arsenal de Guerra, ríspido e intolerante. Sonhava para mim uma grande posição comercial e tinha ânsia de me ver com os elementos mercantis, ler, escrever e contar, para me meter de caixeiro. Citava-me nomes de capitalistas que tinham começado ao balcão. Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.

Subi a escada com cautela, para não ser ouvido do mestre, e cheguei a tempo; ele entrou na sala três ou quatro minutos depois. Entrou com o andar manso do costume, em chinelas de cordovão, com a jaqueta de brim lavada e desbotada, calça branca e tesa e grande colarinho caído. Chamava-se Policarpo e tinha perto de cinqüenta anos ou mais. Uma vez sentado, extraiu da jaqueta a boceta de rapé e o lenço vermelho, pô-los na gaveta; depois relanceou os olhos pela sala. Os meninos, que se conservaram de pé durante a entrada dele, tornaram a sentar-se. Tudo estava em ordem; começaram os trabalhos.

- Seu Pilar, eu preciso falar com você - disse-me baixinho o filho do mestre.

Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinqüenta minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso um grande medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.

- O que é que você quer?

- Logo - respondeu ele com voz trêmula.

Começou a lição de escrita. Custa-me dizer que eu era dos mais adiantados da escola; mas era. Não digo também que era dos mais inteligentes, por um escrúpulo fácil de entender e de excelente efeito no estilo, mas não tenho outra convicção. Note-se que não era pálido nem mofino: tinha boas cores e músculos de ferro. Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a mesma coisa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente, dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não tive remédio senão acabar também, entregar a escrita e voltar para o meu lugar.

Com franqueza, estava arrependido de ter vindo. Agora que ficava preso, ardia por andar lá fora e recapitulava o campo e o morro, pensava nos outros meninos vadios, o Chico Telha, o Américo, o Carlos das Escadinhas, a fina flor do bairro e do gênero humano. Para cúmulo de desespero, vi através das vidraças da escola, no claro azul do céu, por cima do Morro do Livramento, um papagaio de papel, alto e largo, preso de uma corda imensa, que bojava no ar, uma coisa soberba. E eu na escola, sentado, pernas unidas, com o livro de leitura e a gramática nos joelhos.

- Fui um bobo em vir - disse eu ao Raimundo.

- Não diga isso - murmurou ele.

Olhei para ele; estava mais pálido. Então lembrou-me outra vez que queria pedir-me alguma coisa, e perguntei-lhe o que era. Raimundo estremeceu de novo e, rápido, disse-me que esperasse um pouco; era uma coisa particular.

- Seu Pilar... - murmurou ele daí a alguns minutos.

- Que é?

- Você...

- Você quê?

Ele deitou os olhos ao pai e depois a alguns outros meninos. Um destes, o Curvelo, olhava para ele, desconfiado, e o Raimundo, notando-me essa circunstância, pediu alguns minutos mais de espera. Confesso que começava a arder de curiosidade. Olhei para o Curvelo e vi que parecia atento; podia ser uma simples curiosidade vaga, natural indiscrição; mas podia ser também alguma coisa entre eles. Esse Curvelo era um pouco levado do diabo. Tinha onze anos, era mais velho que nós.
Que me quereria o Raimundo? Continuei inquieto, remexendo-me muito, falando-lhe baixo, com instância, que me dissesse o que era, que ninguém cuidava dele nem de mim. Ou então, de tarde...

- De tarde, não - interrompeu-me ele -; não pode ser de tarde.

- Então agora...

- Papai está olhando.

Na verdade, o mestre fitava-nos. Como era mais severo para o filho, buscava-o muitas vezes com os olhos, para trazê-lo mais aperreado. Mas nós também éramos finos; metemos o nariz no livro e continuamos a ler. Afinal cansou e tomou as folhas do dia, três ou quatro, que ele lia devagar, mastigando as idéias e as paixões. Não esqueçam que estávamos então no fim da Regência, e que era grande a agitação pública. Policarpo tinha decerto algum partido, mas nunca pude averiguar esse ponto. O pior que ele podia ter, para nós, era a palmatória. E essa lá estava, pendurada do portal da janela, à direita, com os seus cinco olhos do diabo. Era só levantar a mão, despendurá-la e brandi-la, com a força do costume, que não era pouca. E daí, pode ser que alguma vez as paixões políticas dominassem nele a ponto de poupar-nos uma ou outra correção. Naquele dia, ao menos, pareceu-me que lia as folhas com muito interesse; levantava os olhos de quando em quando, ou tomava uma pitada, mas tornava logo aos jornais e lia a valer.

No fim de algum tempo - dez ou doze minutos - Raimundo meteu a mão no bolso das calças e olhou para mim.

- Sabe o que tenho aqui?
- Não.
- Uma pratinha que mamãe me deu.
- Hoje?
- Não, no outro dia, quando fiz anos...
- Pratinha de verdade?
- De verdade.

Tirou-a vagarosamente e mostrou-me de longe. Era uma moeda do tempo do rei, cuido que doze vinténs ou dois tostões, não me lembra; mas era uma moeda, e tal moeda que me fez pular o sangue no coração. Raimundo revolveu em mim o olhar pálido; depois perguntou-me se a queria para mim. Respondi-lhe que estava caçoando, mas ele jurou que não.

- Mas então você fica sem ela?

- Mamãe depois me arranja outra. Ela tem muitas que vovô lhe deixou, numa caixinha; algumas são de ouro. Você quer esta?

Minha resposta foi estender-lhe a mão disfarçadamente, depois de olhar para a mesa do mestre. Raimundo recuou a mão dele e deu à boca um gesto amarelo, que queria sorrir. Em seguida propôs-me um negócio, uma troca de serviços; ele me daria a moeda, eu lhe explicaria um ponto da lição de sintaxe. Não conseguira reter nada do livro e estava com medo do pai. E concluía a proposta esfregando a pratinha nos joelhos...

Tive uma sensação esquisita. Não é que eu possuísse da virtude uma idéia antes própria de homem; não é também que não fosse fácil em empregar uma ou outra mentira de criança. Sabíamos ambos enganar ao mestre. A novidade estava nos termos da proposta, na troca de lição e dinheiro, compra franca, positiva, toma lá, dá cá; tal foi a causa da sensação. Fiquei a olhar para ele, à toa, sem poder dizer nada.

Compreende-se que o ponto da lição era difícil e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem pedido a coisa por favor, alcança-la-ia do mesmo modo, como de outras vezes; mas parece que a lembrança das outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou cansada, e não aprender como queria - e pode ser mesmo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal -, parece que tal foi a causa da proposta. O pobre-diabo contava com o favor - mas queria assegurar-lhe a eficácia, e daí recorreu à moeda que a mãe lhe dera e que ele guardava como relíquia ou brinquedo; pegou dela e veio
esfregá-la nos joelhos, à minha vista, como uma tentação... Realmente, era bonita, fina, branca, muito branca; e para mim, que só trazia cobre no bolso, quando trazia alguma coisa, um cobre feio, grosso, azinhavrado...

Não queria recebê-la e custava-me recusá-la. Olhei para o mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe pingava o rapé do nariz.
- Ande, tome - dizia-me baixinho o filho.

E a pratinha fuzilava-lhe entre os dedos, como se fora diamante... Em verdade, se o mestre não visse nada, que mal havia? E ele não podia ver nada, estava agarrado aos jornais, lendo com fogo, com indignação...

- Tome, tome...

Relanceei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco, deitei-lhe outra vez o olho e - tanto se ilude a vontade! - não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.

- Dê cá...

Raimundo deu-me a pratinha, sorrateiramente; eu meti-a na algibeira das calças, com um alvoroço que não posso definir. Cá estava ela comigo, pegadinha à perna. Restava prestar o serviço, ensinar a lição, e não me demorei em fazê-lo, nem o fiz mal, ao menos conscientemente; passava-lhe a explicação em um retalho de papel, que ele recebeu com cautela e cheio de atenção. Sentia-se que despendia um esforço cinco ou seis vezes maior para aprender um nada; mas contanto que ele escapasse ao castigo, tudo iria bem.

De repente, olhei para o Curvelo e estremeci; tinha os olhos em nós, com um riso que me pareceu mau. Disfarcei; mas daí a pouco, voltando-me outra vez para ele, achei-o do mesmo modo, com o mesmo ar, acrescendo que entrava a remexer-se no banco, impaciente. Sorri para ele e ele não sorriu; ao contrário, franziu a testa, o que lhe deu um aspecto ameaçador. O coração bateu-me muito.

- Precisamos muito cuidado - disse eu ao Raimundo.

- Diga-me isto só - murmurou ele.

Fiz-lhe sinal que se calasse; mas ele instava, e a moeda, cá no bolso, lembrava-me o contrato feito. Ensinei-lhe o que era, disfarçando muito; depois, tornei a olhar para o Curvelo, que me pareceu ainda mais inquieto, e o riso, dantes mau, estava agora pior. Não é preciso dizer que também eu ficara em brasas, ansioso que a aula acabasse; mas nem o relógio andava como das outras vezes nem o mestre fazia caso da escola; este lia os jornais, artigo por artigo, pontuando-os com exclamações, com gestos de ombros, com uma ou duas pancadinhas na mesa. E lá fora, no céu azul, por cima do morro, o mesmo eterno papagaio, guinando a um lado e outro, como se me chamasse a ir ter com ele. Imaginei-me ali, com os livros e a pedra embaixo da mangueira, e a pratinha no bolso das calças, que eu não daria a ninguém, nem que me serrassem; guarda-la-ia em casa, dizendo a mamãe que a tinha achado na rua. Para que me não fugisse, ia-a apalpando, roçando-lhe os dedos pelo cunho, quase lendo pelo tato a inscrição, com uma grande vontade de espiá-la.

- Oh! Seu Pilar! - bradou o mestre com voz de trovão.

Estremeci como se acordasse de um sonho e levantei-me às pressas. Dei com o mestre, olhando para mim, cara fechada, jornais dispersos, e ao pé da mesa, em pé, o Curvelo. Pareceu-me adivinhar tudo.

- Venha cá! - bradou o mestre.

Fui e parei diante dele. Ele enterrou-me pela consciência dentro um par de olhos pontudos; depois chamou o filho. Toda a escola tinha parado; ninguém mais lia, ninguém fazia um só movimento. Eu, conquanto não tirasse os olhos do mestre, sentia no ar a curiosidade e o pavor de todos.

- Então o senhor recebe dinheiro para ensinar as lições aos outros? - disse-me o Policarpo.

- Eu...

- Dê cá a moeda que este seu colega lhe deu! - clamou.

Não obedeci logo, mas não pude negar nada. Continuei a tremer muito. Policarpo bradou de novo que lhe desse a moeda, e eu não resisti mais, meti a mão no bolso, vagarosamente, saquei-a e entreguei-lha. Ele examinou-a de um e outro lado, bufando de raiva; depois estendeu o braço e atirou-a à rua. E então disse-nos uma porção de coisas duras, que tanto o filho como eu acabávamos de praticar uma ação feia, indigna, baixa, uma vilania, e para emenda e exemplo íamos ser castigados. Aqui pegou da palmatória.

- Perdão, seu mestre... - solucei eu.

- Não há perdão! De cá a mão! Dê cá! Vamos! Sem-vergonha! Dê cá a mão!

- Mas, seu mestre...

- Olhe que é pior!

Estendi-lhe a mão direita, depois a esquerda, e fui recebendo os bolos uns por cima dos outros, até completar doze, que me deixaram as palmas vermelhas e inchadas. Chegou a vez do filho, e foi a mesma coisa; não lhe poupou nada, dois, quatro, oito, doze bolos. Acabou, pregou-nos outro sermão. Chamou-nos sem-vergonhas, desaforados, e jurou que se repetíssemos o negócio, apanharíamos tal castigo que nos havia de lembrar para todo o sempre. E exclamava: "Porcalhões! Tratantes! Faltos de brio!"

Eu, por mim, tinha a cara no chão. Não ousava fitar ninguém, sentia todos os olhos em nós. Recolhi-me ao banco, soluçando, fustigado pelos impropérios do mestre. Na sala arquejava o terror; posso dizer que naquele dia ninguém faria igual negócio. Creio que o próprio Curvelo enfiara de medo. Não olhei logo para ele, cá dentro de mim jurava quebrar-lhe a cara, na rua, logo que saíssemos, tão certo como três e dois serem cinco.

Daí a algum tempo olhei para ele; ele também olhava para mim, mas desviou a cara, e penso que empalideceu. Compôs-se e entrou a ler em voz alta; estava com medo. Começou a variar de atitude, agitando-se à toa, coçando os joelhos, o nariz. Pode ser até que se arrependesse de nos ter denunciado; e, na verdade, por que denunciar-nos? Em que é que lhe tirávamos alguma coisa?

"Tu me pagas! Tão duro como osso!", dizia eu comigo.

Veio a hora de sair, e saímos; ele foi adiante, apressado, e eu não queria brigar ali mesmo, na Rua do Costa, perto do colégio; havia de ser na rua larga de S. Joaquim. Quando, porém, cheguei à esquina, já o não vi; provavelmente escondera-se em algum corredor ou loja; entrei numa botica, espiei em outras casas, perguntei por ele a algumas pessoas, ninguém me deu notícia. De tarde faltou à escola.

Em casa não contei nada, é claro; mas para explicar as mãos inchadas, menti a minha mãe, disse-lhe que não tinha sabido a lição. Dormi nessa noite, mandando ao diabo os dois meninos, tanto o da denúncia como o da moeda. E sonhei com a moeda; sonhei que, ao tornar à escola, no dia seguinte, dera com ela na rua e a apanhara, sem medo nem escrúpulos...

De manhã, acordei cedo. A idéia de ir procurar a moeda fez-me vestir depressa. O dia estava esplêndido, um dia de maio, sol magnífico, ar brando, sem contar as calças novas que minha mãe me deu, por sinal que eram amarelas. Tudo isso, e a pratinha... Saí de casa, como se fosse trepar ao trono de Jerusalém. Piquei o passo para que ninguém chegasse antes de mim à escola; ainda assim não andei tão depressa que amarrotasse as calças. Não, que elas eram bonitas! Mirava-as, fugia aos encontros, ao lixo da rua...

Na rua encontrei uma companhia do batalhão de fuzileiros, tambor à frente, rufando. Não podia ouvir isto quieto. Os soldados vinham batendo o pé rápido, igual, direita, esquerda, ao som do rufo; vinham, passaram por mim e foram andando. Eu senti uma comichão nos pés, e tive ímpeto de ir atrás deles. Já lhes disse: o dia estava lindo, e depois o tambor... Olhei para um e outro lado; afinal, não sei como foi, entrei a marchar também ao som do rufo, creio que cantarolando alguma coisa: Rato na casaca... Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois enfiei pela Saúde e acabei a manhã na Praia da Gamboa. Voltei para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha no bolso nem ressentimento na alma. E contudo a pratinha era bonita e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação; mas o diabo do tambor...



Carta de um defunto rico

Machado de Assis

"Meus caros amigos e parentes. Cá estou no carneiro nº 7..., da 3ª quadra, à direita, como vocês devem saber, porque me puseram nele. Este Cemitério de São João Batista da Lagoa não é dos piores. Para os vivos, é grave e solene, com o seu severo fundo de escuro e padrasto granítico. A escassa verdura verde-negra das montanhas de roda não diminuiu em nada a imponência da antiguidade da rocha dominante nelas. Há certa grandeza melancólica nisto tudo; mora neste pequeno vale uma tristeza teimosa que nem o sol glorioso espanta... Tenho, apesar do que se possa supor em contrário, uma grande satisfação; não estou mais preso ao meu corpo. Ele está no aludido buraco, unicamente a fim de que vocês tenham um marco, um sinal palpável para as suas recordações; mas anda em toda a parte.

Consegui afinal, como desejava o poeta, elevar-me bem longe dos miasmas mórbidos, purificar-me no ar superior - e bebo, como um puro e divino licor, o fogo claro que enche os límpidos espaços.

Não tenho as dificultosas tarefas que, por aí, pela superfície da terra, atazanam a inteligência de tanta gente.

Não me preocupa, por exemplo, saber se devo ir receber o poderoso imperador do Beluchistã com ou sem colarinho; não consulto autoridades constitucionais para autorizar minha mulher a oferecer ou não lugares do seu automóvel a príncipes herdeiros - coisa, aliás, que é sempre agradável às senhoras de uma democracia; não sou obrigado, para obter um título nobiliárquico, de uma problemática monarquia, a andar pelos adelos, catando suspeitas bugigangas, e pedir a literatos das ante-salas palacianas que as proclamem raridades de beleza, a fim de encherem salões de casas de bailes e emocionarem os ingênuos com recordações de um passado que não devia ser avivado.

Afirmando isto, tenho que dizer as razões. Em primeiro lugar, tais bugigangas não têm, por si, em geral, beleza alguma; e, se a tiveram era emprestada pelas almas dos que se serviram delas. Semelhante beleza só pode ser sentida pelos descendentes dos seus primitivos donos.

Demais, elas perdem todo o interesse, todo o seu valor, tudo o que nelas possa haver de emocional, desde que percam a sua utilidade e desde que sejam retiradas dos seus lugares próprios. Há senhoras belas, no seu interior, com os seus móveis e as costuras; mas que não o são na rua, nas salas de baile e de teatro. O homem e as suas criações precisam, para refulgir, do seu ambiente próprio, penetrado, saturado das dores, dos anseios, das alegrias de sua alma; é com as emanações de sua vitalidade, é com as vibrações misteriosas de sua existência que as coisas se enchem de beleza.

É o sumo de sua vida que empresta beleza às coisas mortais; é a alma do personagem que faz a grandeza do drama, não são os versos, as metáforas, a linguagem em si etc. etc. Estando ela ausente, por incapacidade do ator, o drama não vale nada.

Por isso, sinto-me bem contente de não ser obrigado a caçar, nos belchiores e cafundós domésticos, bugigangas, para agradar futuros e problemáticos imperantes, porque teria que dar a elas alma, tentativa em projeto que, além de inatingível, é supremamente sacrílego.

De resto, para ser completa essa reconstrução do passado ou essa visão dele, não se podia prescindir de certos utensílios de uso secreto e discreto, nem tampouco esquecer determinados instrumentos de tortura e suplício, empregados pelas autoridades e grão-senhores no castigo dos seus escravos.

Há, no passado, muitas coisas que devem ser desprezadas e inteiramente eliminadas, com o correr do tempo, para a felicidade da espécie, a exemplo do que a digestão faz, para a do indivíduo, com certas substâncias dos alimentos que ingerimos.

Mas... estou na cova e não devo relembrar aos viventes coisas dolorosas.

Os mortos não perseguem ninguém e só podem gozar da beatitude da superexistência aqueles que se purificam pelo arrependimento e destroem na sua alma todo o ódio, todo o despeito, todo o rancor.

Os que não conseguem isso - ai deles!

Alonguei-me nessas considerações intempestivas, quando a minha tenção era outra.

O meu propósito era dizer a vocês que o enterro esteve lindo. Eu posso dizer isto sem vaidade, porque o prazer dele, da sua magnificência, do seu luxo, não é propriamente meu, mas de vocês, e não há mal algum que um vivente tenha um naco de vaidade, mesmo quando é presidente de alguma coisa ou imortal da Academia de Letras.

Enterro e demais cerimônias fúnebres não interessam ao defunto; elas são feitas por vivos para vivos.

É uma tolice de certos senhores disporem nos seus testamentos como devem ser enterrados. Cada um enterra seu pai como pode - é uma sentença popular, cujo ensinamento deve ser tomado no sentido mais amplo possível, dando aos sobreviventes a responsabilidade total do enterro dos seus parentes e amigos, tanto na forma como no fundo.

O meu, feito por vocês, foi de truz. O carro estava soberbamente agaloado; os cavalos bem paramentados e empenachados; as riquíssimas coroas, além de ricas, eram lindas. Da Haddock Lobo, daquele casarão que ganhei com auxílio das ordens terceiras, das leis, do câmbio e outras fatalidades econômicas e sociais que fazem pobres a maior parte dos sujeitos e a mim me fizeram rico; da porta dele até o portão de São João Batista, o meu enterro foi um deslumbramento. Não havia, na rua, quem não perguntasse quem ia ali.

Triste destino o meu, esse de, nos instantes do meu enterramento, toda uma população de uma vasta cidade querer saber o meu nome e dali a minutos, com a última pá de terra deitada na minha sepultura, vir a ser esquecido, até pelos meus próprios parentes.

Faço esta reflexão somente por fazer, porque, desde muito, havia encontrado, no fundo das coisas humanas, um vazio absoluto.

Essa convicção me veio com as meditações seguidas que me foram provocadas pelo fato de meu filho Carlos, com quem gastei uma fortuna em mestres, a quem formei, a quem coloquei altamente, não saber nada desta vida, até menos do que eu.

Adivinhei isto e fiquei a matutar como que é que ele gozava de tanta consideração fácil e eu apenas merecia uma contrariedade? Eu, que...

Carlos, meu filho, se leres isto, dá o teu ordenado àquele pobre rapaz que te fez as sabatinas por "tuta-e-meia"; e contenta-te com o que herdaste do teu pai e com o que tem tua mulher! Se não fizeres... ai de ti!

Nem o Carlos nem vocês outros, espero, encontrarão nesta última observação matéria para ter queixa de mim. Eu não tenho mais amizade, nem inimizade.

Os vivos me merecem unicamente piedade; e o que me deu esta situação deliciosa em que estou foi ter sido, às vezes, profundamente bom. Atualmente, sou sempre...

Não seria, portanto, agora que, perto da terra, estou, entretanto, longe dela, que havia de fazer recriminações a meu filho ou tentar desmoralizá-lo. Minha missão, quando me consentem, é fazer bem e aconselhar o arrependimento.

Agradeço a vocês o cuidado que tiveram com o meu enterro; mas, seja-me permitido, caros parentes e amigos, dizer a vocês uma coisa. Tudo estava lindo e rico; mas um cuidado vocês não tiveram. Por que vocês não forneceram librés novas aos cocheiros das caleças, sobretudo, ao do coche, que estava vestido de tal maneira andrajosa que causava dó?

Se vocês tiverem que fazer outro enterro, não se esqueçam de vestir bem os pobres cocheiros, com o que o defunto, caso seja como eu, ficará muito satisfeito. O brilho do cortejo será maior e vocês terão prestado uma obra de caridade.

Era o que eu tinha a dizer a vocês. Não me despeço, pelo simples motivo de que estou sempre junto de vocês. É tudo isto do

José Boaventura da Silva.

N.B. - Residência, segundo a Santa Casa: Cemitério de São João Batista da Lagoa; e segundo a sabedoria universal, em toda a parte. - J.B.S."

Posso garantir que transladei esta carta para aqui sem omissão de uma vírgula.



O primeiro beijo

Clarice Lispector

Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.

- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? - perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio-dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, talvez horas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...
Ele se tornara homem.

Conto publicado no livro Felicidade Clandestina, Ed. Rocco



Uma galinha

Clarice Lispector

Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou - o tempo da cozinheira dar um grito - e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, parecia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

- Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

- Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

- Eu também! - jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas, quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga - e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho - era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.

Conto publicado no livro Laços de Família, Ed. Rocco


quarta-feira, 21 de março de 2012

Boa Noite Alunos da 8ª. B

Não se esqueçam que amanhã tem Aula de Inglês (5ª e 6ª aula).
Vamos corrigir os exercícios da Apostila de Inglês.
Não faltem!

Tenham uma noite de sono abençoada!

Boa Noite Pessoal das 6ªs. Séries

Não se esqueçam de fazer a pesquisa das letras de músicas: Eduardo e Mônica, O Meu Guri e Egotrip para podermos fazer os exercícios e a Atividade para nota.
Tenha uma noite de sono abençoada!

P.S.: Não se esqueçam de colocar o Caderno e a Apostila de Português em dia.

Psalms 146: 5 - God Bless You!

Psalms 146: 5
5-blessed is the one who has the God of Jacob for his aid, and whose hope is in the Lord his God.

The word of God says that my hope will not be frustrated, so I have reached my expectations in their truths. Lord is my aid and my helper in the most difficult moments and  his will that is perfect good and nice I'll live in nom and Jesus, Amen!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CADERNO DO ALUNO SEXTA SÉRIE VOL I

Caro(a) aluno(a),


Para viver no mundo atual com qualidade de vida é preciso ter cada vez mais

conhecimentos, respeitar valores e desenvolver atitudes positivas em relação a si e

aos outros.

Os conhecimentos produzidos pela humanidade ao longo da história são um

valioso tesouro que nos permite compreender o mundo que nos cerca, interagir

com as pessoas, tomar decisões... Ler, observar, registrar, analisar, comparar, refletir

e expressar-se são algumas formas de compartilhar esse tesouro.

Este material foi preparado especialmente para ajudar você a entender esses conhecimentos

e utilizá-los com competência nas diferentes linguagens: oral, escrita,

imagética, sonora e corporal, como forma de conhecer a si mesmo, a sua cultura e

o mundo em que vive.

Familiarizar-se com as diferentes linguagens e saber usá-las adequadamente é dar

sentido às relações que estabelecemos com o outro e com o mundo. Quando nos

expressamos, construímos cultura e nos apropriamos das manifestações culturais,

além de atuarmos como sujeitos produtivos na sociedade contemporânea.

Com este Caderno, você poderá ampliar suas possibilidades de reflexão sobre a

vida e as relações humanas, que se expressam de diferentes maneiras no cotidiano

e nas obras literárias e artísticas, o que lhe permitirá apreciar e aproveitar os benefícios

do conhecimento.

Aprender exige esforço e dedicação, mas também envolve curiosidade e criatividade,

que estimulam a troca de ideias e conhecimentos. Por isso, sugerimos que

você participe das aulas, fique atento às explicações do professor, faça anotações,

exponha suas dúvidas, não tenha vergonha de fazer perguntas, procure respostas e

dê sua opinião.

Caso precise, peça ajuda ao professor. Ele pode orientá-lo sobre o que estudar

e pesquisar, como organizar os estudos e onde buscar mais informações sobre um

assunto. Reserve todos os dias um horário para fazer as tarefas e rever os conteúdos;

assim você evita que eles se acumulem. E, principalmente, ajude e peça ajuda aos

colegas. A troca de ideias é fundamental para a construção do conhecimento.

Aprender pode ser muito prazeroso. Temos certeza de que você vai descobrir

isso.

Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – CENP

Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Equipe Técnica de Linguagens e Códigos



Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

3

!

?

Situação de Apren dizagem 1

Estudo dos traços caracter ísticos do

agrupa mento tipológico Relatar (1)

1. Leia o texto a seguir.

A primeira infância

Por: Jacqueline Salgado

(1) Viçosa ainda era uma menina quando eu nasci.

(2) Pelas ruas serpenteava o trem de ferro da RFFSA, que atravessava a cidade de ponta

a ponta e adentrava pela universidade. Do berçário até minha casa bastava saltar duas ruas

e um par de trilhos! A família, muito numerosa, colocou-me em evidência ante a falta de

crianças, e nada do que eu fazia era considerado um erro, aprendi desde cedo o que é a

distorção sensorial psíquica – ao que mais tarde eu viria a ser cobrada de uma forma corrosiva,

justo na puberdade!

(3) Muitos foram os fatos que marcaram meus primeiros quatro anos. Imagens, sons,

cheiros e sensações que se fundiram e ainda hoje insistem em ficar estampados na memória,

como se o tempo nada pudesse remover. Daquilo que ficou posso ressaltar duas

experiências raramente vividas por uma criança de um ou dois anos, mas que foram tão

comuns para mim nesse período da vida quanto um banho de sol na praça da matriz!

(4) A ideia fixa em fugir diariamente pelas grades da varanda é o primeiro fato marcante

de minha infância. A casa era antiga, pequena, ficava nos fundos, não havia muito

espaço para ver os trilhos do trem, somente na pequena varanda da entrada, onde eu me

acostumei a driblar quem me acompanhasse e escapava ora por entre os balaústres, ora por

entre as grades. Quando o trem apitava então, não havia ninguém que me fizesse segura no

interior da casa, nem mesmo uma bacia de alumínio cheia d’água no quintal! Foram tantas

fugas e tentativas delas que logo me tornara conhecida por toda a vizinhança. Uma vez, ao

desembarcar na casa dos tios em Pirapora (MG), coloquei a família em pânico pela cidade

a minha procura, só porque eu parti em busca do mundaréu de água do Rio São Francisco

que me haviam prometido na viagem! Contentei-me com um poço turvo de água da chuva

que topei pelo caminho e assim ficou mais fácil da família e da polícia me encontrarem.

Valeu a pena ter fugido naquele dia, eu saí em busca de um rio e acabei brincando num

poço! Depois disso eu percebi que poderia sonhar bastante, e que se o sonho ficasse pela

metade a frustração seria pouca! Minhas fugas sempre tiveram um porquê, a infância foi a

única fase da minha vida em que as coisas que eu fazia tinham algum sentido.

(5) Com tantas peripécias, minha mãe logo tratou de arranjar uma babá. A coitada

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

4

da minha prima Luciana já não dava mais conta de estudar e ficar de olho numa criança

tão espevitada! Chegou então a tal babá, uma moça de fala mole e olhar perdido que

logo conquistou minha confiança. Chamava-se Lúcia. Duas vezes ao dia me levava pra

passear pelas redondezas, às vezes na casa de meus avós um pouquinho acima na mesma

rua, outras vezes íamos à praça principal, ou pelo caminho dos trilhos, ou simplesmente

andávamos pela calçada do hospital, que ficava quase em frente a minha casa.

(6) Com o passar dos dias a babá deixou de me levar até os avós, não ia mais até a

praça, nem passeava pelos trilhos, o único lugar que ela me levava com frequência era o

estacionamento do hospital. Mas o que teria de tão atrativo num estacionamento de hospital?

Pra mim não havia nada, embora eu gostasse de atravessar os trilhos, mas ela tinha o

estranho hábito de ver pessoas dormir sobre uma mesa. A Lúcia me tomava no colo e aos

passos discretos entrava por uma portinha na lateral do hospital. O lugar era o necrotério.

As pessoas não dormiam, aguardavam a perícia ou o trabalho da funerária! Minha pobre

cabecinha miúda não conseguia entender por que, certa vez, havia um que “dormia” pelado

naquele frio todo de Viçosa e ainda por cima com a barriga toda costurada! E a moça

com a roupa suja e rasgada, “tadinha”, tinha um cheiro tão ruim que até hoje consigo

puxar pelo nariz! Os olhos perdidos da babá se arregalavam por alguns instantes em cima

dos corpos estáticos, como se ela se enchesse de vida e se sentisse com sorte por não estar

no lugar deles. Ela então voltava pra casa confiante, com a “criança da patroa” nos braços, e

com a satisfação de quem ganhara no jogo do bicho. E assim, diariamente, eu era obrigada

a fitar os presuntos do necrotério do Hospital São Sebastião, até o dia em que minha mãe

descobriu, e apavorada mandou a moça “catar coquinho”! Rumores se espalharam pela

cidade... a coitada da babá levou fama de psicopata, de feiticeira e até de necrófila! Mas eu

estava de prova: ela só olhava com os olhos saltados!

(7) Para o bem da verdade, nenhum mal isso me fez; pelo contrário, se tivesse feito

medicina teria grande chance de ser legista! O único incômodo disso tudo é o odor, meu

estômago ainda é fraco! Tenho mais medo de ver um morto num caixão do que na cena

do crime, por exemplo!

(8) A pobre babá teve um fim tão trágico quanto o das muitas pessoas daquele seu

voyerismo estranho: foi assassinada pelo namorado dentro de um hotel em construção,

seu corpo só foi encontrado três dias depois. Que destino! Aquela sensação talvez não

fosse de confiança, mas de certeza.

(9) E só para não terminar esse relato autobiográfico da primeira infância assim tão

mórbido, vou contar o que eu fiz dentro do poço de água da chuva em Pirapora: entrei,

molhei os sapatos e as meias brancas, depois juntei as mãos, enchi de água e... o resto vocês

já sabem!

(10) Ai ai, a pureza da infância! Como eu disse, a única fase da minha vida em que as

coisas que eu fazia tinham algum sentido!

Relatos autobiográficos: A primeira infância, por Jacqueline Salgado. Disponível em:

. Acesso em: 4 nov. 2009.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

5

2. I ndividualmente, elabore um quadro recuperando do texto lido informações gerais: título,

nome do autor, gênero, local em que o texto foi publicado.

3. Faça uma análise do texto, respondendo às seguintes questões no caderno:

a) Como foi a infância da autora?

b) Que acontecimentos marcaram essa época?

c) Onde ela morava?

d) O que havia próximo à sua casa?

e) Quais pessoas participaram diretamente dessa fase da vida da autora?

f ) Quais conclusões você pode tirar sobre a leitura?

g) O que você achou da autora? Quais são suas impressões sobre ela?

h) A autora relatou histórias sobre sua infância. Sublinhe um trecho que conta um fato que

ela viveu.

i) Esse relato, além de servir como registro da história de vida da autora, pode servir como

registro de acontecimentos e lugares da história de Viçosa? Explique.

4. Leia a informação a seguir:

As comunicações orais, por escrito ou por imagens, são linguagens indispensáveis

para a vida em grupo. Não poderíamos viver em sociedade se não nos comunicássemos

uns com os outros. É por isso que dizemos que cada forma de comunicação tem uma

função social própria, isto é, serve para facilitar, do seu jeito, a vida em sociedade. Veja

os exemplos: um conto de mistério é um gênero de texto que serve para despertar a

curiosidade do leitor e diverti-lo; uma certidão de nascimento é um gênero de texto que

tem a função de provar que a pessoa existe legalmente; uma notícia é um gênero textual

que informa os leitores de um jornal sobre um acontecimento; uma carta pode servir

para informar um parente sobre o mesmo acontecimento de um jeito diferente da notícia;

o gênero textual receita culinária tem a função de auxiliar a memória quando

queremos cozinhar um prato que apreciamos. Como você pode ver, chamamos cada

uma dessas funções sociais da comunicação de gênero textual e damos um nome próprio

a cada um deles.

a) O relato da experiência vivida por Jacqueline Salgado tem uma função social. Qual é ela?

Responda no caderno.

b) Sublinhe no texto da autora uma das partes que possa confirmar sua resposta.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

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Oralidade

Dando continuidade ao estudo do texto A primeira infância, reúna-se com seus colegas para

organizar uma roda de conversa.

1. Comparem as respostas que deram às questões das Atividades 2 e 3, apresentando-as oralmente.

Nesse momento, é importante observar se todos anotaram o mesmo tipo de informação ou se

houve respostas muito diferentes. As respostas são coerentes com as informações encontradas

no relato de Jacqueline Salgado?

2. Relatem suas impressões pessoais sobre a autora e sobre a leitura do texto.

3. Esclareçam eventuais dúvidas que tenham ocorrido no momento em que, individualmente,

responderam às questões.

4. Reflitam sobre a importância da roda de conversa para um entendimento mais amplo do texto

lido. Em sua opinião, trocar impressões e informações de leitura ajuda (ou não) a construir uma

maior compreensão do texto?

PESQUISA EM GRUPO

1. Façam uma pesquisa na internet sobre relatos autobiográficos, selecionando dois

exemplos.

Atenção: para a atividade ser mais dinâmica e interessante, vocês podem combinar quais

autores serão selecionados pelos grupos a fim de que não haja repetição de nomes e

relatos.

2. Organizem um quadro com as principais características desse gênero. Vejam o modelo:

Nome dos relatos autobiográficos

selecionados

Informações gerais sobre

cada um dos textos lidos

Características comuns

entre os dois relatos

1.

2.

3. Façam uma apresentação oral sobre os relatos autobiográficos lidos e o quadro que organizaram.

4. Em seguida, com o auxílio do professor, montem um novo quadro sintetizando todas

as informações que vocês encontraram sobre o gênero textual relato autobiográfico.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

7

O filme Narradores de Javé conta a história da pequena cidade de Javé, que será submersa

pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer

notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados,

descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de

valor comprovado em documento científico. Decidem, então, escrever a história da cidade –

mas poucos sabem ler e só um morador, o carteiro, sabe escrever.

Ficha técnica

Filme: Narradores de Javé.

Direção: Eliane Caffé.

Roteiro: Eliane Caffé e Luís Alberto de Abreu.

Intérpretes: José Dumont, Gero Camilo, Rui Resende, Luci Pereira,

Nelson Dantas e Nelson Xavier.

Duração: 85 minutos.

Ano de lançamento (Brasil): 2003.

Para mais informações: . Acesso em: 22 out. 2009.

Para saber mais sobre a história e as personagens, comparando os relatos de experiência

no filme com os relatos estudados nesta Situação de Aprendizagem, vocês podem combinar

com o professor uma sessão de cinema na escola, com dia e horário predeterminados.

PARA SABER MAIS

Produção escrita

1. A seguir, há quatro propostas para a produção de textos escritos. Com a orientação do professor,

dividam-se em grupos e sorteiem

essas propostas, anotando na coluna 2 o nome dos integrantes

de seu grupo.

Coluna 1 Coluna 2

Proposta para produção de texto escrito

Grupo responsável pela proposta e nome

dos integrantes

1. Assistam a um programa na televisão (telejornal,

novela, filme, programa de debate etc.) e escrevam

um relato a um amigo, contando o que viram.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

8

Coluna 1 Coluna 2

Proposta para produção de texto escrito Grupo responsável pela proposta e nome

dos integrantes

2. Escrevam um relato autobiográfico sobre sua

primeira infância: onde e com quem moravam;

que influências recebiam de sua família (pais,

avós, tios); que acontecimentos consideram

mais importantes em sua história.

3. Escrevam uma página de diário sobre um

livro de literatura infantojuvenil que já leram

em outras séries ou estejam lendo no momento,

contando suas impressões: o que acharam

ou estão achando do livro; como são as personagens;

se indicariam o livro aos amigos etc.

4. Façam a leitura de uma sequência de imagens

de uma HQ (preparada pelo professor)

e relatem o que compreenderam: quem são

as personagens; o que elas estão fazendo; por

que estão fazendo isso; se há coerência entre as

imagens etc.

2. D iscutam a proposta observando o que devem fazer para garantir que a tarefa de escrita seja

cumprida integralmente.

3. I ndividualmente, cada integrante do grupo deve escrever seu próprio texto e entregá-lo ao professor.

4. O professor fará anotações nesses textos, solicitando alterações, complementações, correções.

Ainda individualmente, leiam essas anotações e tentem reformular os trechos indicados pelo

professor.

5. Novamente em grupo, troquem seus textos entre vocês. Observem se seus colegas conseguiram

modificar os trechos indicados pelo professor.

6. D iscutam no grupo o que acharam dos textos lidos. Oralmente, se for o caso, façam novas sugestões

de reformulação.

7. Passem seu texto a limpo.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

9

8. Organizem um mural para uma exposição dos relatos produzidos por vocês, agrupando-os de

acordo com as propostas iniciais. Combinem com o professor um momento da aula para apreciarem

os relatos e diários produzidos.

Estudo da língua

1. Volte ao texto A primeira infância. Circule todos os verbos.

2. Anote-os na tabela, classificando-os de acordo com o exemplo.

Parágrafo Verbos encontrados Tempo verbal/Modo

1o Era

Nasci

Pretérito Imperfeito

Pretérito Perfeito

2o

Serpenteava/atravessava/adentrava/

bastava

Colocou

Fazia

Era

Aprendi

É

Viria

Pretérito Imperfeito

Pretérito Perfeito

Pretérito Imperfeito

Pretérito Imperfeito

Pretérito Perfeito

Presente

Futuro do Pretérito

3o

4o

5o

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

10

Parágrafo Verbos encontrados Tempo verbal

6o

7o

8o

9o

10o

3. Responda no caderno:

a) Por que a maioria dos verbos encontrados no texto A primeira infância foi conjugada no

tempo passado?

b) Qual é a relação entre o tempo passado e os relatos autobiográficos?

4. Em grupo, retomem agora os textos que escreveram nas atividades anteriores, observando os

verbos utilizados. A maioria deles também está conjugada no tempo passado? Formulem uma

explicação para esse fato, relacionando-o ao tipo de texto estudado.

5. Seu professor fará a seleção de algumas atividades do livro didático sobre verbos no tempo passado.

Desenvolva-as individualmente.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

11

Anote aqui as indicações dos exercícios para não esquecer

Páginas:

Exercícios:

6. Leia as sentenças a seguir. Depois, responda no caderno: qual a finalidade das palavras e das

expressões destacadas?

a) Antigamente, as coisas eram diferentes. Havia mais árvores nas ruas, poucos carros. As

pessoas costumavam dar bom-dia a todos que encontrassem.

b) O cinema, ontem, estava lotado.

c) Amanhã, a prova será sobre espaços geográficos.

d) Em Manaus, faz 30 graus no inverno.

e) Na minha casa, todo mundo gosta de assistir a filmes de ação.

7. Em grupo, façam uma lista de palavras e expressões que têm a mesma finalidade das destacadas

na Atividade 6. Utilizem o quadro a seguir como modelo e anotem exemplos retirados dos relatos

que produziram.

Palavras e expressões que marcam tempo Palavras e expressões que indicam lugar

Antigamente

Ontem

Amanhã

Em Manaus

Na minha casa

LIÇÃO DE CASA

1. Procure, no livro didático, informações sobre marcadores de tempo e de lugar, também chamados

de advérbios e locuções adverbiais. Anote as definições no caderno.

2. Leia as informações apresentadas pelo livro e, em seguida, compare-as com a lista e as respostas

formuladas nas atividades da seção Estudo da língua.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

12

!

?

Situação de Apren dizagem 2

Estudo dos traços caracter ísticos do

agrupa mento tipológico Relatar (2)

Letra de música 2

O meu guri

Composição: Chico Buarque

Quando, seu moço, nasceu meu rebento

Não era o momento dele rebentar

Já foi nascendo com cara de fome

E eu não tinha nem nome pra lhe dar

Como fui levando, não sei lhe explicar

Fui assim levando ele a me levar

E na sua meninice ele um dia me disse

Que chegava lá

Olha aí

Olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

E ele chega

Chega suado e veloz do batente

E traz sempre um presente pra me

[encabular

Tanta corrente de ouro, seu moço

Que haja pescoço pra enfiar

Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro

Chave, caderneta, terço e patuá

Um lenço e uma penca de documentos

1. As letras de música que vamos estudar a seguir, embora escritas em versos, apresentam

semelhanças com as narrativas por contarem histórias. Vocês devem, de acordo com

a orientação do professor, ouvi-las e analisá-las. Para isso, é necessário que copiem no

caderno as letras de música que estiverem faltando, indicadas a seguir:

• letra de música 1: Eduardo e Mônica. Composição: Renato Russo;

• letra de música 3: Egotrip. Composição: Antônio Pedro/Evandro Mesquita/

Patrícia Travassos/Ricardo Barreto.

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

13

Pra finalmente eu me identificar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

E ele chega

Chega no morro com o carregamento

Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador

Rezo até ele chegar cá no alto

Essa onda de assaltos tá um horror

Eu consolo ele, ele me consola

Boto ele no colo pra ele me ninar

De repente acordo, olho pro lado

E o danado já foi trabalhar, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato

Com venda nos olhos, legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente, seu moço

Fazendo alvoroço demais

O guri no mato, acho que tá rindo

Acho que tá lindo de papo pro ar

Desde o começo, eu não disse, seu moço

Ele disse que chegava lá

Olha aí, olha aí

Olha aí, ai o meu guri, olha aí

Olha aí, é o meu guri

© 1981 by Marola

Edições Musicais Ltda.

2. Em uma roda de conversa, falem sobre suas primeiras impressões, recuperando algumas informações

contidas em cada uma das letras:

a) D o que tratam essas letras?

b) Quem são as personagens envolvidas nas histórias?

c) O que acontece com elas?

d) Vocês já conheciam essas músicas? Como?

3. Para refletir: na opinião de vocês, essas letras de música relatam fatos acontecidos com pessoas

reais ou têm um caráter ficcional (ou seja, narram histórias inventadas por seus compositores)?

Por que vocês acham isso?

4. Em grupo, elaborem uma ficha organizativa com as informações obtidas na leitura e na escuta

das letras de música. Utilizem o modelo a seguir:

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

14

Informações Letra de música 1 Letra de música 2 Letra de música 3

Informações gerais

sobre as canções:

título, compositor,

intérprete.

Tema (sobre o que as

letras tratam).

Elementos da

narrativa que podem

ser encontrados

nessas letras.

5. Em seguida, ainda em grupo, vocês devem transformar uma das três letras de música em uma

narrativa em prosa, contendo as principais informações anotadas no quadro anterior.

Vejam o exemplo:

• Grupos 1 e 2 – escrevem, com as informações existentes na letra de música Eduardo e

Mônica, uma narrativa sobre a experiência vivida por essas personagens.

• Grupos 3 e 4 – escrevem, com as informações existentes na letra de música O meu guri,

uma narrativa sobre a experiência de vida da mãe.

• Grupos 5 e 6 – escrevem uma narrativa sobre a experiência de vida relatada na letra de

música Egotrip.

6. Cada grupo lê em voz alta a narrativa produzida, comparando-a com as narrativas dos outros

grupos.

7. Em que as letras de música e as narrativas que vocês escreveram são semelhantes?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

15

8. Em que essas letras de música e as narrativas que vocês escreveram são diferentes?

Oralidade

1. A proposta agora é realizar um estudo das marcas de oralidade nos versos de cada uma das

três letras de música analisadas na seção Leitura e Análise de Texto, observando quando

os compositores reproduzem intencionalmente palavras e expressões típicas da linguagem

oral. Essa intencionalidade ocorre por várias razões. Em grupo, respondam: que razões são

essas?

2. Releiam as letras, assinalando as interjeições que vocês também costumam utilizar (ou observam

outras pessoas utilizando) quando conversam informalmente. Depois, reflitam:

• O que vocês querem dizer quando usam essas interjeições?

• Qual é a função delas no contexto de fala?

• Se elas não fossem utilizadas, haveria prejuízo para o entendimento da conversa?

• Essas interjeições poderiam ser utilizadas em outros contextos de produção textual (oral ou

escrito)? Quais?

• Vocês escreveriam uma notícia de jornal ou uma carta de leitor usando esses mesmos recursos

linguísticos? Por quê?

3. Organizem no caderno uma lista com expressões que, quando utilizadas em um texto escrito, têm

como objetivo reproduzir a informalidade da linguagem oral.

PESQUISA INDIVIDUAL

1. Faça uma pesquisa em seu livro didático para saber mais sobre as interjeições presentes

nas letras de música analisadas.

2. Copie em seu caderno a definição encontrada no livro.

3. D ê exemplos de interjeições que ajudam a exprimir, no texto escrito, emoções, sensações,

estados de espírito.

4. Seu professor selecionará duas atividades de sistematização do conteúdo interjeições

propostas pelo livro didático. Desenvolva-as.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

16

LIÇÃO DE CASA

1. O professor selecionará alguns exercícios sobre pontuação propostos pelo livro didático a fim de

que você se familiarize com as regras.

2. Volte ao relato que escreveu e observe os sinais de pontuação utilizados.

a) Você seguiu as regras estudadas nessa sequência de atividades?

b) Que outros sinais você também usou para compor seu texto?

Produção escrita

1. I ndividualmente, escreva no caderno um pequeno relato sobre sua rotina diária: a que horas

acorda, aonde costuma ir, o que costuma fazer, a que horas almoça, em que horário vai

dormir

etc.

2. Troque seu relato com o de um colega e leia o dele.

3. Registre suas impressões de leitura: você gostou do que leu? Achou (ou não) algo de especial?

Esperava alguma coisa a mais? Identificou-se (ou não) com a rotina do colega? Etc.

4. D epois, coletivamente, discutam sobre o relato escrito:

a) Qual a finalidade desse texto?

b) Vocês o consideram importante?

c) Em que circunstâncias vocês o usariam e por quê?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

17

© Conexão Editorial © Conexão Editorial

1. Em grupo, façam a leitura das imagens a seguir.

Leitura e Análise de Imagem

© Conexão Editorial

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

18

2. Responda no caderno.

a) O que as pessoas estão fazendo em cada uma das imagens?

b) O que a expressão facial e corporal dessas pessoas, em cada uma das imagens, indica?

c) Aquela que está ouvindo o orador apresenta que tipo de reação?

d) Por essa reação, é possível inferir o que o ouvinte está achando da explanação do

orador?

e) Na sua opinião, apenas com as informações obtidas na leitura das imagens é possível

relatar o que, de fato, essas pessoas estão fazendo, dizendo, sentindo etc.? Por quê? O

que seria necessário saber para relatar o que está sendo dito pelas personagens dessas

imagens?

© Conexão Editorial © Conexão Editorial

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

19

3. Em grupo, escrevam no caderno um pequeno relato sobre a história dessa sequência de imagens.

O narrador deve ser uma das personagens. Nesse relato, é preciso esclarecer por que eles

estão envolvidos na situação e por que o ouvinte tem determinada expressão diante do que o

orador diz.

4. Vocês se identificaram com alguma das pessoas das imagens, ou seja, também ficaram felizes,

tristes ou entediados diante da leitura do relato de seu colega? Digam qual dessas sensações

vocês sentiram e expliquem, no caderno, por que vocês acham que a leitura do relato a provocou.

Produção escrita

1. Retomem os relatos que fizeram na seção Produção escrita, da página 16, refletindo sobre a

situação de comunicação para a qual eles foram elaborados: alunos escrevem para os colegas

e para o professor ouvirem a respeito da rotina do dia a dia, sem acrescentar nada de diferente.

Relembrem a situação e, depois, respondam no caderno: é possível que o relato da rotina

de um estudante, sem nenhum acontecimento especial, desperte interesse e curiosidade nos

ouvintes? Por quê?

2. Escolha uma das situações de comunicação a seguir e escreva em seu caderno um novo relato

que atenda às exigências dessa situação.

Sugestões de situações de comunicação:

• Sua escola está realizando um censo para saber qual é a rotina dos estudantes após o período

(ou antes dele) em que estão na escola, a fim de reunir dados estatísticos sobre a

quantidade de adolescentes que trabalham além de estudar.

• Seu professor quer solicitar algumas tarefas para serem realizadas fora do horário escolar e

precisa saber a disponibilidade de tempo que seus alunos têm para isso.

• Um professor tem como objetivo fazer uma comparação entre a vida de seus alunos e a de

crianças e adolescentes que vivem nas ruas e não frequentam uma escola, a fim de discutir

com os estudantes, principalmente, as diferentes realidades que envolvem os jovens brasileiros.

Considere:

a) Quais informações você deve dar?

b) Quais informações podem ser descartadas por não terem importância para a

situação escolhida?

c) Qual a função social, isto é, para que servirá seu relato de acordo com as exigências

da situação que você escolheu?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

20

!

?

Situação de Apren dizagem 3

Estudo de algumas diferenças entre a

linguagem oral e a linguagem escrita

Para realizar as atividades de leitura e interpretação textual, vocês terão de desenvolver,

ao mesmo tempo, as seções Pesquisa em grupo e Lição de casa.

Leitura e Análise de Texto

1a Etapa

1. Preparem, com o apoio do professor, uma lista de contos que gostariam de ler. Uma possibilidade de

organizar essa lista é escolhê-los em uma visita à sala de leitura ou biblioteca da escola; outra maneira

de conhecer contos é buscá-los na internet; outra, ainda, é trazê-los de casa. Depois de encontrar alguns

títulos de contos que consideram interessantes, anotem seus dados no quadro a seguir.

Título do conto Nome do autor

2. Escolham um dos contos listados. Caso tenham dificuldade para escolher, façam um sorteio.

Guardem a lista para outra atividade de leitura.

3. Combinem entre vocês um momento de silêncio para que o professor faça a leitura em voz alta

de uma parte do conto escolhido.

4. Quando o professor terminar a leitura, em uma roda, comentem suas impressões.

a) G ostaram (ou não) do trecho lido do conto? Por quê?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

21

b) Ficaram curiosos ou com vontade de ler a continuação do conto? Por quê?

c) Quiseram saber mais sobre o autor do texto (sua vida, os livros que já escreveu, onde mora,

se ainda vive etc.)? Por quê?

d) Relacionaram esse conto a alguma história real que conhecem? Contem essa história a seus

colegas.

PESQUISA EM GRUPO

1. O professor discutirá os demais contos da lista elaborada na 1a Etapa da seção Leitura

e Análise de Texto por grupos de trabalho.

2. No laboratório de informática (caso exista um em sua escola e esteja disponível) ou em

qualquer outro lugar a que tenham acesso, vocês devem fazer uma pesquisa na internet

a fim de saber sobre os contos e autores pelos quais seu grupo ficou responsável.

Durante essa pesquisa, vocês podem acrescentar novos contos que gostariam de ler

para sua classe, em outra aula. Vocês também podem selecionar contos dos livros que

encontrarem na biblioteca da escola, em casa, com amigos etc.

3. Façam a leitura dos contos escolhidos e, em nova roda de leitura, comentem suas impressões.

LIÇÃO DE CASA

1. Após a pesquisa em grupo, selecione um dos contos e faça uma leitura individual em voz

alta.

Escolha a entonação que melhor combina com o tipo de história que selecionou. Por exemplo:

se você optou por um conto de mistério e suspense, é preciso pensar em como ler as partes que

causam sensação de medo, angústia no leitor/ouvinte. Nesse caso, sua leitura deve reforçar essa

sensação.

2. Prepare duas questões sobre o conto (pode ser a respeito das personagens, do lugar onde a história

acontece, do tema etc.). Formule as respostas para essas questões de acordo com o entendimento

que teve do texto e anote-as no caderno.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

22

2a Etapa

1. Reúna-se em dupla. Cada um de vocês lerá em voz alta para o colega um trecho do conto escolhido

na seção Lição de casa.

2. Apresente a seu colega as duas questões preparadas por você, durante a lição de casa, sobre o

conto que escolheu para ler.

3. I ndividualmente, responda às questões que seu colega elaborou e aguarde que ele responda às

elaboradas por você.

4. Vocês trocam novamente as questões e observam se as respostas dadas são semelhantes às sugestões

de respostas que cada um anotou anteriormente.

5. D iscutam sobre essas respostas, justificando por que julgam que as questões formuladas são

pertinentes ao exercício de análise textual.

a) Elas ajudam a compreender melhor o conto?

b) Possibilitam ampliar a discussão sobre a história?

c) Estimulam a curiosidade do ouvinte?

6. Entreguem ao professor essas questões (suas e de seu colega) com as respectivas respostas (as

esperadas por você e as dadas por seu colega).

Oralidade

1. Leia a sequência de textos a seguir.

Texto 1: Como você se interessou pelo circo?

Na verdade eu sempre meio... que... fiquei meio fascinada com circo... uma vez quando

eu era criança eu assisti... é... principalmente o trapézio foi uma coisa que me chamou muita

atenção... eu achei muito bonito... na verdade eu nunca... cheguei a imaginar... como que

alguém poderia fazer circo, eu não imaginava quando era pequena nem sabia que tinha uma

escola... de circo... aí é... sempre que eu tive meio que uma curiosidade e uma vontade... de

fazer parte disso... e ... até que que um dia quando eu estava mais velha... eu tinha... uns

quatorze... anos eu vi na... um espetáculo de um circo na televisão que é o Cirque Du Soleil...

e... e voltou tudo muito mais forte porque é um espetáculo muito bonito e eu queria fazer

parte de tudo aquilo e aí como eu sabia onde tinha uma escola resolvi ir atrás desse sonho...

e poder fazer parte disso.

NÓBREGA, Maria José. Os tons e mil tons do português do Brasil.

In: MURIE, Zuleika de Felice (Coord.). Língua portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física:

livro do estudante: Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Inep, 2002. p. 147.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

23

Texto 2: Como você se interessou pelo circo?

Na verdade eu sempre meio... que... fiquei meio fascinada com circo... uma vez quando

eu era criança eu assisti... é... principalmente o trapézio foi uma coisa que me chamou muita

atenção... eu achei muito bonito... na verdade eu nunca... cheguei a imaginar... como que

alguém poderia fazer circo, eu não imaginava quando era pequena nem sabia que tinha uma

escola... de circo... aí é... sempre que eu tive meio que uma uma curiosidade e uma vontade...

de fazer parte disso... e... até que que um dia quando eu estava mais velha... eu tinha... uns

quatorze... anos eu vi na... um espetáculo de um circo na televisão que é o Cirque Du Soleil...

e... e voltou tudo muito mais forte porque é um espetáculo muito bonito e eu queria fazer

parte de tudo aquilo e aí como eu sabia onde tinha uma escola resolvi ir atrás desse sonho...

e poder fazer parte disso.

NÓBREGA, Maria José. Os tons e mil tons do português do Brasil.

In: MURIE, Zuleika de Felice (Coord.). Língua portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física:

livro do estudante: Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Inep, 2002. p. 147.

Texto 4: Como você se interessou pelo circo?

Eu sempre fui muito fascinada pelo circo. Uma vez, quando era criança, assisti a um

espetáculo e, principalmente, o trapézio me chamou muito a atenção. Nessa época, nunca

Texto 3: Como você se interessou pelo circo?

Eu sempre... fiquei fui meio muito fascinada com pelo circo... uma vez quando era

criança assisti a um espetáculo e... principalmente o trapézio foi uma coisa que me chamou

muita muito a atenção... nessa época nunca... cheguei a imaginar...como que alguém poderia

aprendia a fazer circo eu não imaginava quando era pequena nem sabia que tinha uma

escola... sempre tive mas tinha uma curiosidade e uma vontade... de fazer parte disso parte

daquele mundo... e... até que um dia quando estava mais velha... tinha ... com uns quatorze...

anos vi... um espetáculo muito bonito de o Cirque Du Soleil um circo na televisão que

é... e o desejo de fazer parte de tudo aquilo voltou tudo muito mais forte porque é um espetáculo

e eu queria e como eu sabia onde tinha uma escola resolvi ir atrás desse sonho... e

poder fazer parte disso.

NÓBREGA, Maria José. Os tons e mil tons do português do Brasil.

In: MURIE, Zuleika de Felice (Coord.). Língua portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física:

livro do estudante: Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Inep, 2002. p. 147.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

24

2. Em uma roda de conversa, reflitam sobre as questões a seguir, formulando respostas de acordo

com o entendimento que tiveram da sequência de textos.

a) Na opinião de vocês, qual a semelhança entre os quatro textos?

b) Em que eles diferem?

c) Vocês consideram que se trata de um mesmo texto, várias vezes reformulado, ou são textos

diferentes, produzidos por pessoas diferentes?

d) Qual o tema tratado nos quatro textos?

3. Comparem o Texto 1 com o Texto 4. Respondam:

a) Qual deles apresenta expressões típicas da linguagem oral?

b) Qual pertence à linguagem escrita?

c) Por que vocês acham isso?

4. Por que os Textos 2 e 3 apresentam grifos em algumas palavras? Por que o Texto 3 apresenta

novas palavras (marcadas na cor azul)? Qual a finalidade dessas palavras?

5. D iscutam as transformações sofridas pelo texto original e sua importância na transposição da

linguagem oral para a linguagem escrita.

Produção escrita

1. Em grupo, vocês devem gravar relatos de algumas pessoas sobre fatos vivenciados por elas. Essa

gravação deve ser, evidentemente, autorizada pelas pessoas. Vocês podem escolher algum familiar,

colegas de outras classes ou professores.

Vejam estas orientações:

• Vocês devem ter um entendimento comum sobre o assunto do relato: um acontecimento

de infância, um momento de muita alegria, o nascimento de um filho etc.

cheguei a imaginar como alguém aprendia a fazer circo, nem sabia que tinha escola, mas

tinha uma curiosidade e uma vontade de fazer parte daquele mundo.

Até que um dia, quando estava com uns quatorze anos, vi um espetáculo muito bonito

do Cirque Du Soleil na televisão e o desejo de fazer parte de tudo aquilo voltou muito mais

forte. Como eu sabia onde tinha uma escola, resolvi ir atrás desse sonho.

NÓBREGA, Maria José. Os tons e mil tons do português do Brasil.

In: MURIE, Zuleika de Felice (Coord.). Língua portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física:

livro do estudante: Ensino Fundamental. Brasília: MEC/Inep, 2002. p. 147.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

25

Caso sua escola só possua um aparelho gravador e nenhum de vocês disponha • desse recurso

em casa, combinem entre os grupos e alternem o uso do aparelho (cada grupo fará a gravação

em um dia ou horário).

• É importante que vocês gravem, no máximo, dois minutos do relato, a fim de facilitar o

trabalho de transcrição e, posteriormente, de transposição da linguagem oral para a escrita.

2. Vocês devem transcrever os relatos gravados exatamente como foram falados, seguindo como

modelo a sequência de textos analisada na seção Oralidade. Essas transcrições devem ser

lidas pelos grupos, que discutirão quais aspectos do texto original devem ser eliminados inicialmente.

3. A partir de então, precisam transformar as transcrições dos relatos em textos escritos, utilizando

os recursos típicos dessa linguagem, como a pontuação, a paragrafação e os elementos coesivos.

Leiam as seguintes orientações:

• Cortem as passagens repetitivas ou palavras e expressões que funcionam bem na hora de

falar, mas, em geral, são desnecessárias na escrita.

• Acrescentem informações que não tenham sido faladas, por serem facilmente subentendidas,

mas que precisam aparecer na escrita.

• Substituam termos muito vagos por palavras ou expressões mais específicas.

• Invertam expressões ou partes do texto para deixar as ideias apresentadas mais claras para

quem lê.

• Por fim, dividam o texto em parágrafos e frases, empregando a pontuação adequada e as

letras maiúsculas de modo correto.

4. Após a transposição para a escrita, vocês devem ler para toda a classe o resultado do trabalho

realizado, fazendo comparações com o texto transcrito e discutindo as marcas da escrita que já

foram utilizadas na transposição.

5. Entreguem esse texto ao professor para que ele possa auxiliá-los na revisão que ainda sofrerá. Ele fará

anotações e sugestões do que vocês podem fazer para melhorar o texto transposto.

6. Façam as mudanças apontadas pelo professor. Todos os integrantes do grupo devem ter uma

cópia de cada etapa dessa atividade a fim de consultá-la posteriormente como “termômetro”

avaliativo: o que sabiam e como escreviam antes e depois de cada etapa.

Estudo da língua

1. O professor apresentará à classe um texto narrativo. Você deve, individualmente:

a) Fazer a leitura do texto narrativo apresentado por ele.

b) I dentificar as personagens: quem e quantas são? Quais são as falas de cada uma delas?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

26

c) I dentificar o narrador: ele também é personagem ou não? Como você identifica isso?

d) Responder em seu caderno: o que falta a esse texto? Isso prejudica o entendimento da história?

Por quê?

2. Reescreva o texto no caderno, separando as falas do narrador e das personagens por meio do uso

de sinais de pontuação.

3. Em dupla, comparem o modo como vocês pontuaram o diálogo entre as personagens:

a) U saram o mesmo tipo de pontuação ou pontuaram de forma bem diferente?

b) A maneira como pontuaram cada texto criou possibilidades diferentes de entendimento?

Quais?

4. Seu professor apresentará o texto original coletivamente a fim de que vocês possam refletir sobre

a função da pontuação nas marcas de diálogo e no sentido que se quer atribuir ao texto.

!

?

Situação de Apren dizagem 4

Estudo da estrutura do Jornal

1. Leia os textos a seguir.

Texto 1

Na noite de ontem, por volta das 22 horas, um tremor de terra atingiu diversas regiões

de São Paulo. De acordo com o Observatório de Sismologia da Universidade de São Paulo,

o epicentro ocorreu no mar, a uma distância de aproximadamente 215 quilômetros da

costa do Estado de São Paulo.

O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) informou que muitos moradores

da cidade ligaram para relatar o abalo e registrar a preocupação com novos tremores, mais

fortes e perigosos. No entanto, o Centro não registrou nenhum caso de pessoa ferida ou

morta. Segundo o professor João Teixeira, “não há riscos de novos tremores nos próximos

dias”. Uma moradora do bairro do Ipiranga contou que estava chegando em casa na hora

em que a terra começou a tremer: “Os quadros do saguão do meu prédio ficaram todos

tortos e eu tive a impressão de estar andando sobre o chão de um barco”. A moradora espera

não passar novamente por essa sensação.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

27

2. A quais gêneros eles pertencem? Marque a resposta correta:

a) O primeiro é uma notícia, porque é um texto não assinado, foi escrito por alguém que observou

o acontecimento de longe e tem a função de informar o público em geral; o segundo

é uma carta ou e-mail, foi escrito por alguém que viveu o acontecimento, identifica-se

como filha e tem a função de informar a mãe para que ela não se preocupe.

b) O primeiro é um relato de experiência vivida, porque foi escrito por alguém que participou

do acontecimento para informar os leitores de um jornal dos detalhes do tremor de terra; o

segundo também é um relato de experiência vivida, porque está sendo lido na escola, para

todos os alunos que também sentiram o tremor de terra em suas casas.

3. Organize uma lista de características que comprovem a resposta que você deu no item 2. Anote

essa lista no quadro a seguir.

Texto 2

Mãe,

Espero que tudo esteja bem aí em casa. Aqui, as coisas estão indo assim, assim... Ainda

não tive resposta daquele emprego, mas vou levando. Ontem, tomei um baita susto: a vida

tremeu dentro de mim. É sério, tremeu mesmo. Eu já estava na cama (você sabe que gosto

de dormir cedo, né?), mas ainda não tinha conseguido encontrar Morfeu. Daí, tudo pareceu

tremer à minha volta. Achei até que estava com labirintite! Como a noite estava negra

como os cabelos de Iracema (lembra-se da nossa querida índia?), não compreendi bem o

acontecido: seria um certo devaneio meu ou algo, de fato, estava acontecendo no mundo?

Sei lá, mãe... Naquela hora, eu fiquei com tanto medo que nem pensei em levantar do meu

beliche.

Hoje, quando resolvi me aventurar para fora das minhas paredes protetoras, descobri

que o tremor tinha sido real mesmo: “um abalo sísmico”, era o que dizia no jornal. Isso me

fez respirar mais tranquila: não fora um devaneio, não. E não é que aqui, na selva de pedra,

a gente tem terra que balança?

Beijo, mãe... Estou com muita saudade, mas só posso ir para casa no próximo feriado.

Sua filha Matilda.

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

28

4. I dentifique o tema principal dos dois textos, observando como o acontecimento é retratado em

cada um deles.

5. Em sua opinião, seria adequado usar as mesmas expressões escritas no Texto 2 para retratar o

acontecimento no Texto 1? Por quê?

6. A função social de cada um dos gêneros textuais que você leu é diferente: um deles, por ser uma

notícia, informa um grande público de leitores de jornal sobre um acontecimento; o outro, por

ser carta ou e-mail, relata um acontecimento vivido por alguém.

Será que o fato de serem autores e públicos diferentes modifica o modo como é feita a descrição

do acontecimento? Explique como é possível verificar essa diferença.

7. Retomem o primeiro parágrafo do Texto 1 e observem as informações contidas nele. Que informações

são essas? Qual a importância dessas informações para a composição desse texto?

Gênero/características Texto 1 Texto 2

Gênero

Características

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

29

LIÇÃO DE CASA

1. No livro didático, procure informações sobre linguagem denotativa e linguagem conotativa (ou

conotação e denotação). Anote as definições encontradas.

2. Faça no caderno os exercícios de sistematização selecionados pelo professor.

1. Façam uma leitura coletiva do texto a seguir:

Agência de notícia: empresas que cobrem fatos e distribuem informações jornalísticas

para todos os veículos de comunicação (jornal, revista, rádio, TV, internet). Existem as

agências locais, nacionais e internacionais. Selecionam as notícias que devem ser transmitidas.

Caderno: são as partes separadas de um exemplar de jornal. Contém assuntos correlatos,

distribuídos em seções e colunas fixas e matérias ligadas ao seu tema geral (p. ex:

caderno de esporte, de turismo, de dinheiro, de política, de economia, de classificados,

etc.).

Chamada: texto, completado por títulos, fotos e legendas, gráficos, mapas etc., que

resume a notícia. Geralmente são colocadas na primeira página para atrair o leitor. Abaixo

dela, à direita, há indicações do caderno ou página em que a notícia integral se encontra.

Também pode se constituir apenas de um título, ou uma foto com legenda.

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

30

2. Respondam no caderno:

a) Qual a função desse texto?

b) A que contexto ele reporta o leitor?

c) Vocês reconhecem alguma das informações contidas nesse texto?

d) O que aprenderam com a leitura desse texto?

3. Em grupo, analisem a primeira página do jornal, reconhecendo suas partes e seus componentes,

como o nome do jornal (título), a data de edição, o preço, as manchetes, os pequenos

textos de esclarecimentos das manchetes, as seções etc. Em seguida, examinem as demais

partes do jornal.

4. Em quais partes do jornal se encontram os tópicos apresentados no texto do item 1?

5. Coletivamente, comparem os jornais manuseados pelos grupos, verificando se todos apresentam

a mesma estrutura. Para facilitar a tarefa e registrá-la, vocês podem organizar uma ficha com

as informações da atividade anterior.

Coluna: seção assinada de um jornal ou revista. É colocada sempre em uma mesma

página e possui um título fixo.

Lide ou lead: abertura do texto jornalístico, indicando dados sobre o fato noticiado

(quem, o que, quando, onde, como e por quê). Também serve como um resumo do fato,

orientando a leitura dos parágrafos seguintes, que devem ser um desdobramento das informações

contidas no lide.

Manchete: título principal de uma notícia, em letras garrafais, na primeira página do

jornal ou da revista.

Notícia: relato de uma série de fatos a partir de um fato mais importante. Sua estrutura

é lógica e tem critério de importância ideológico: depende do mercado consumidor,

da cultura, do momento histórico de um país etc.

Olho: tem a mesma função de um subtítulo. É um pequeno texto ou título que antecede

um título maior ou um grande texto.

Rubrica: título dado a uma matéria. Pode ser o nome de um assunto pontual ou de

determinada seção ou coluna.

Seção: espaço no jornal onde são reunidos assuntos específicos. É uma subdivisão dos

cadernos do jornal.

FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal em sala de aula. São Paulo: Contexto, 10a edição

1a reimpressão, fevereiro de 2008. p. 157-160. .

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

31

6. Selecionem uma das seções ou partes do jornal e façam a leitura de dois textos dessa seção.

7. D iscutam o que acharam da parte selecionada e dos textos lidos. Justifiquem por que algumas

seções não lhes chamaram a atenção.

8. Coletivamente, avaliem:

a) Vocês manusearam com facilidade os cadernos dos jornais?

b) Encontraram facilidade na leitura dos textos?

c) Reconheceram em algum deles o gênero notícia?

d) E o gênero relato?

Produção escrita

1. Observe o esquema a seguir:

• Quem? Pesquisadores italianos.

• O quê? Clonar animais.

• Quando? Abril de 2002.

• Onde? Na Itália e em outras partes do mundo.

• Como? A partir de células de bichos adultos.

• Por quê? Por motivos financeiros: ajudar a pecuária.

Por motivos científicos: recuperar espécies em extinção.

Atividade adaptada de NERY, Alfredina e NÓBREGA, Maria José. Gêneros de textos: temas, formas,

recursos e suportes. In: Língua portuguesa, língua estrangeira, educação artística e educação física:

livro do estudante, Ensino Fundamental. Coord. Zuleika de Felice Murrie. Brasília. MEC/Inep, 2002.

2. Individualmente, com base nas informações do quadro anterior, escreva uma notícia de jornal

que discorra sobre o tema Clonagem de animais.

Siga estas instruções para a composição desse texto:

• As informações do quadro devem compor o texto. Você deve atentar para a estrutura do

gênero notícia, dividindo as informações por parágrafo. Por exemplo: no primeiro parágrafo

ou lide, anuncie a notícia, com dados sobre o fato noticiado (quem, o quê, quando,

onde, como e por quê), sem explicá-los ou dar detalhes sobre essas informações. Deixe para

fazer isso nos parágrafos seguintes. Não se esqueça de dar um título ao texto que chame a

atenção dos leitores.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

32

• Em dupla ou grupo, comparem as notícias escritas por vocês, observando se todos utilizaram

as informações contidas no quadro anterior. Observem também as novas informações

que foram agregadas ao texto.

• Façam a revisão de seus textos, dando ênfase aos seguintes aspectos da língua: uso de discurso

direto e indireto, pontuação (vírgula, ponto final, aspas, dois-pontos), ortografia.

Fiquem atentos também à estrutura do gênero: todos escreveram o lide? As informações do

lide foram ampliadas nos parágrafos seguintes?

• Refaçam o texto a partir da revisão sugerida por sua dupla ou seu grupo.

• Guarde seu texto em uma pasta a fim de consultá-lo em outro momento.

Estudo da língua

Em dupla, retomem os textos lidos na seção Leitura e Análise de Texto desta Situação de

Aprendizagem.

1. Circulem todos os advérbios e locuções adverbiais presentes neles.

2. Reflitam sobre o uso dessas palavras:

• No geral, como elas ajudam na organização dos textos?

• Elas contribuem para que o leitor compreenda o que está lendo?

• De que modo esses marcadores são utilizados em gêneros jornalísticos como a notícia?

3. Observem agora algumas notícias selecionadas por seu professor. Identifiquem nelas os marcadores

de tempo e lugar presentes nesse gênero textual.

1. Para saber mais sobre clonagem animal, realize uma pesquisa na internet (ou, caso tenha

acesso, em materiais impressos que costumam tratar desse assunto, como jornais e

revistas), buscando notícias publicadas recentemente sobre isso. Selecione duas ou três

notícias e leia seu conteúdo, atentando para dois aspectos do texto:

• As informações que ele apresenta sobre o tema.

• A estrutura do gênero textual notícia.

2. Agora, retome a notícia que você escreveu e modifique o que achar necessário.

PESQUISA INDIVIDUAL

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

33

4. D epois, coletivamente, discutam sobre a importância desses marcadores para o entendimento

dos textos lidos, auxiliando na organização coerente dos fatos relatados nas notícias.

VOCÊ APRENDEU?

Responda em seu caderno às questões sobre os Textos 1 e 2, analisados na seção Leitura e

Análise de Texto:

1. Com que finalidade esses textos foram escritos?

2. Quais as características do Texto 1 para que ele possa ser considerado informativo?

3. O Texto 1 pode ser considerado uma notícia? Por quê?

4. Por que o Texto 2 não pode ser considerado uma notícia?

5. Embora o mesmo tema esteja presente nos dois textos, por que o segundo não é o mais adequado

para informar o leitor de um jornal sobre o fato ocorrido?

6. O que há de diferente entre a linguagem do Texto 1 e a do Texto 2? Como os autores falam

sobre o fato? Em qual dos textos o acontecimento fica mais claro para o leitor?

!

?

Situação de Apren dizagem 5

Estudo da not ícia no jornal

1. Leia o texto atentamente e responda às questões.

Texto 1: Estória de João-Joana

Meu leitor, o sucedido

Em Lajes do Caldeirão

é caso de muito ensino,

merecedor de atenção.

Por isso é que me apresento

fazendo esta relação.

Vivia em dito arraial

Do país das Alagoas

Um rapaz chamado João

Cuja força era das boas

Pra sujigar burro bravo,

Tigres, onças e leoas.

[...]

Leitura e Análise de Texto

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

34

De pequeno ficou órfão,

Criado por seus dois manos.

Foi logo para o trabalho

Com muitos outros fulanos

E seu muque, sem mentira,

Era o de três otomanos.

Na enxada, quem que vencia

Aquele tico de gente.

No boteco, se ele entrava

Pra bochechar aguardente,

O saudavam com respeito

Deus lhe salve, meu parente.

João moço não enjeitava

Parada com sertanejo.

Podiam brincar com ele

Sem carregar no gracejo.

Dizia que homem covarde

Não é cabra, é percevejo.

Um dia de calor desses

Que tacam fogo no agreste,

João suava que suava

Sem despir sua veste.

Companheiro, essa camisa

Não é coisa que moleste?

Lhe perguntou um amigo

Que estava de peito nu.

E João se calado estava

Nem deu pio de nhambu.

Ninguém nunca viu seu pelo,

Nem por trás do murundu.

João era muito avexado

Na hora de tomar banho.

Punha tranca no barraco

Fugindo a qualquer estranho.

Em Lajes nenhum varão

Tinha recato tamanho.

João nas últimas semanas

Entrou a sofrer de inchaço.

Mesmo assim arranca toco

Sem se carpir de cansaço.

Um dia, não aguenta mais,

Exclama: O que é que eu faço?

Os manos vendo naquilo

Coisa mei’desimportante,

Logo receitam de araque

Meizinha sem variante

Para qualquer macacoa:

Carece tomar purgante.

João entrou no purgativo

Louco de dor e de medo

Se entorcendo e contorcendo

Na solidão do arvoredo

Pois ele em sua aflição

Lá se escondera bem cedo.

O gemido que exalava

Do peito de João sozinho

Alertou os seus dois manos

Que foram ver de mansinho

Como é que aquele bravo

Se tornara tão fraquinho.

No chão da terra, essa terra

Que a todos nós vai comer,

Chorava uma criancinha

Acabada de nascer.

E João, de peito desnudo,

Acarinhava este ser.

Aquela cena imprevista

Causou a maior surpresa.

O que tanto se ocultara

Se mostrava sem defesa.

João deixara de ser João

Por força da natureza.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

35

2. O texto lido pode ser considerado:

a) uma notícia de jornal.

b) um relato autobiográfico.

c) uma crônica esportiva ou social.

d) um poema para ser cantado.

3. Se esse texto for uma notícia de jornal, que informações não podem faltar?

a) O fato ocorrido, o nome dos envolvidos no fato, o lugar do ocorrido, o tempo em que ocorreu.

b) I maginação e intriga.

c) Linguagem poética e preocupação com a expressão.

d) D ados sobre o processo de escrita dos autores da notícia.

A mulher surgia nele

Ao mesmo tempo que o filho,

Tal qual se brotassem junto

A espiga com o pé de milho,

Ou como bala que estoura

Sem se puxar o gatilho.

Se os manos levaram susto,

Até eu, que apenas conto.

E o povo todo, assuntando

A estória ponto por ponto

Ficou em breve inteirado

Do que aí vai sem desconto.

Nem menino nem menina

Era João quando nasceu.

A mãe, sem saber ao certo,

O nome de João lhe deu.

Dizendo: Vai vestir calça

E não saia que nem eu.

À proporção que crescia

Feito animal na campina,

Em João foi-se acentuando

A condição feminina,

Mas ele jamais quis ser

Tratado feito menina.

Pois nesse triste povoado

E cem léguas ao redor,

Ser homem não é vantagem

Mas ser mulher é pior.

Que vê claro já conclui:

De dois males o menor.

[...]

João vira Joana: acontecem

Dessas coisas sem preceito.

No seu colo está Joãozinho

Mamando leite de peito.

Pelo menos esse aqui

De ser homem tem direito.

[...]

ANDRADE, Carlos Drummond de. Estória de João-Joana. In: Versiprosa. Rio de Janeiro: Record, 2000.

Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond .

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

36

4. O título do texto:

a) atrapalha o entendimento e a leitura do texto.

b) é desnecessário e, portanto, não deveria compor o texto.

c) dá pistas ao leitor do que ele irá encontrar durante a leitura do texto.

d) indica que o texto tratará de problemas domésticos entre João e Joana.

5. Faça a leitura do segundo texto e responda à pergunta a seguir.

Texto 2

Esse cordel musical de autoria de Carlos Drummond de Andrade e Sérgio Ricardo foi

gravado no Estúdio Transamérica – Rio de Janeiro, em fevereiro, março e abril de 1985, com

voz e arranjo de Sérgio Ricardo, orquestração de Radamés Gnattali e regência de Alexandre

Gnattali.

Disponível em: . Acesso em: 29 jan. 2008.

Que informações o Texto 2 traz que ajudam o leitor a ler e compreender o contexto e a função

social do Texto 1?

Oralidade

Dando continuidade à análise dos textos apresentados na seção Leitura e Análise de Texto, em

uma roda de conversa, respondam:

1. Qual o tema tratado no texto?

2. Quem são as personagens envolvidas nessa história?

3. Vocês se surpreenderam com o desfecho da história? Por quê?

4. O que vocês compreenderam dela? E o que tiveram dificuldade para entender?

5. O texto apresenta traços de narratividade: que traços são esses?

6. A que gênero esse texto pertence?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

37

Leitura e Análise de Texto

1. O professor apresentará à classe, nesta nova sequência de leitura, dois textos. Você

deve:

a) Fazer uma leitura silenciosa desses textos, observando seu tema.

b) Coletivamente, em voz alta, fazer novas leituras desses textos para experimentar

outros modos de ler. Considerem, para isso, as seguintes questões:

• O que sabem sobre os gêneros ao qual pertence cada um dos textos apresentados

pelo professor?

• Como acham que deve ser a leitura em voz alta de cada um desses textos?

• Quais são as entonações necessárias para frisar as informações do Texto 1?

• No caso do Texto 2, o que é preciso saber para fazer uma boa leitura em voz alta,

aproveitando e valorizando os recursos estilísticos utilizados pelo autor?

2. Na sequência, dividam-se em dois grandes grupos e selecionem um dos textos lidos

anteriormente a fim de fazer uma análise mais detalhada de sua estrutura e temática.

Depois, organizem fichas idênticas, com as seguintes informações:

Informações Texto 1 Texto 2

Nome do texto

Nome do autor

Referência de publicação

Função comunicativa

e social

Tema

Linguagem

Gênero textual

Atenção: É importante que os dois grupos tenham fichas idênticas porque, ao socializarem

suas respostas, vocês terão espaço para acrescentar as informações dadas pelos

colegas sobre o outro texto.

3. Apresentem à classe a ficha preenchida por vocês. Depois, com a ajuda do professor, reflitam:

quais marcas, indícios ou pistas encontrados nos textos permitem ao leitor construir

uma compreensão sobre os temas e os gêneros a que pertencem os Textos 1 e 2?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

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Atividade em grupo

1. Façam a leitura de cinco notícias apresentadas pelo professor ou selecionadas por vocês, em

jornais encontrados na biblioteca da escola ou trazidos de casa. Mas atenção: cada grupo deve

trabalhar com uma coletânea de notícias diferentes.

2. Observem as características comuns a todas as notícias lidas, anotando-as em um quadro organizativo

semelhante ao indicado a seguir:

Título da notícia

Tema

Acontecimentos/fatos

Com quem aconteceu?

Quando aconteceu?

Onde aconteceu?

Por que aconteceu?

Como aconteceu?

3. Apresentem o quadro à classe, comparando o estudo feito pelos grupos. As características encontradas

são semelhantes? São diferentes? Vocês consideram que esse estudo facilita o reconhecimento

do gênero notícia de jornal, bem como a compreensão de sua função comunicativa

(informar o leitor sobre um acontecimento)?

Produção escrita

Esta sequência será dividida em várias partes. Siga as orientações, observando a necessidade de

retomar algumas atividades e textos já estudados nas sequências anteriores.

Parte 1

1. O professor apresentará algumas fichas com informações isoladas de notícias de jornal (título,

fato ocorrido, com quem, quando, onde, como, por quê). Coletivamente, façam a leitura dessas

fichas.

2. I ndividualmente ou em duplas, selecionem uma das fichas lidas e escrevam um lide (ou parágrafo

inicial da notícia).

3. Troquem seu(s) texto(s) com um colega ou outra dupla para que possam lê-lo (os) e avaliá-lo (os).

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

39

Para essa avaliação, considerem:

É possível reconhecer no parágrafo escrito por seus colegas o início • de uma notícia de

jornal?

• O parágrafo que você (ou sua dupla) escreveu é parecido com o de seus colegas?

• O acontecimento foi priorizado, sendo apresentado clara e objetivamente?

4. Façam anotações a lápis no texto dos colegas, acrescentando sugestões ou soluções para os eventuais

problemas encontrados.

5. D evolvam o texto a seus autores, que farão a leitura das anotações e dos comentários, reformulando-

o se for necessário.

VOCÊ APRENDEU?

6. Organizem um mural de notícias a fim de expor a produção dos lides realizada nessa atividade.

Coletivamente, sob orientação do professor, façam uma roda para falar sobre o que pensaram

aos escrever o parágrafo:

• O que vocês acharam dessa escrita?

• Como se sentiram diante da tarefa de comentar o texto dos colegas e diante dos comentários

escritos por eles sobre o seu texto?

• Vocês concordaram com as sugestões dadas?

• Vocês tinham consciência dos problemas de seu texto apontados por seus colegas?

• Trocar os textos com os colegas a fim de que os avaliem é uma prática eficiente para ajudar

a escrever melhor?

Parte 2

Em dupla, transformem o cordel produzido por Carlos Drummond de Andrade e Sérgio

Ricardo, apresentado na seção Leitura e Análise de Texto, em uma narrativa em prosa. Para essa

produção escrita, levem em consideração os seguintes aspectos encontrados no texto original:

• personagem;

• enredo;

• espaço;

• tempo;

• foco narrativo.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

40

Parte 3

Ainda em dupla, escrevam uma notícia de jornal apresentando o fato principal ocorrido com

João-Joana. Nesse novo texto, é preciso considerar a estrutura do gênero notícia, restringindo as

informações aos dados essenciais da história.

Utilizem como referência as notícias lidas até aqui e a produção textual que fizeram na Situação

de Aprendizagem 4.

Parte 4

Depois de cumprir todas as etapas da Produção escrita (planejamento, primeira versão, revisão,

reformulação do texto), façam uma roda de apreciação dos textos. Comentem: como se sentiram

ao escrever esses textos? Quais dificuldades enfrentaram? Do que mais gostaram? Do que não

gostaram?

Estudo da língua

1. Leia o texto a seguir.

a) Quantas frases esse texto apresenta?

b) Essas frases têm a mesma estrutura? O que as diferencia?

2. Retomem a atividade de escrita na seção Produção escrita, da Situação de Aprendizagem 4, e

observem se os títulos elaborados por vocês são compostos por frases nominais ou verbais. Organizem

esses títulos no quadro a seguir:

– Bom dia!

– Bom dia! O que você está fazendo por aqui tão cedo?

– Ah, caí da cama...

– Mas por quê?

– Porque o dia está lindo! A vida é bela! Eu sou feliz!

– Nossa! Dia lindo mesmo! Nem tinha percebido...

Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

41

Título composto por frase nominal Título composto por frase verbal

3. Voltem ao estudo dos jornais e das notícias, selecionem alguns títulos, comparando-os com os

títulos do quadro.

a) Quantos títulos apresentam verbos e quantos são frases nominais?

b) Com base no estudo das frases, realizado na seção Estudo da língua, como vocês avaliam

agora a forma como os títulos são criados?

c) Qual é a finalidade dos títulos para a compreensão da notícia ou para o interesse por ela?

d) As frases verbais e nominais causam os mesmos efeitos de sentido ao anunciar uma notícia?

Por quê?

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

42

PESQUISA EM GRUPO

1. Busquem no livro didático ou em uma gramática normativa indicada pelo professor

explicações sobre tipos de frase (verbais e nominais), orações e períodos.

2. Observem os exemplos apresentados no livro e conversem sobre o que acharam deles:

são esclarecedores? Ajudam a compreender o conceito?

3. Anotem, no quadro a seguir, as definições encontradas:

Frases nominais

Frases verbais

Orações

Período

4. O professor selecionará, no livro didático, alguns exercícios de sistematização. Vocês podem

desenvolvê-los em grupo.

5. Retomem algumas das notícias estudadas até aqui (ou procurem outras notícias) e selecionem novos

títulos compostos apenas por orações. Selecionem também alguns lides, circulando os verbos.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

43

6. Anotem esses verbos no quadro a seguir e indiquem o tempo em que foram conjugados:

Verbos Tempo verbal

LIÇÃO DE CASA

1. Leia os itens a seguir, assinalando apenas aqueles que dizem respeito ao gênero textual notícia:

( ) A notícia destaca-se no modo como as informações são passadas para o leitor.

( ) O texto pode ser considerado uma notícia quando o autor modifica o valor do acontecimento

real, fazendo um novo uso das palavras.

( ) A notícia tem uma linguagem padronizada e racional. Assim qualquer jornal no Brasil e no

mundo apresentará notícias com formato e tipo de linguagem semelhantes.

( ) Ao escrever uma notícia, o jornalista transforma o fato concreto, trágico, em pequenas

passagens poéticas a partir das quais o leitor pode visualizar imagens dessas cenas.

( ) A notícia prioriza a apresentação do fato atual, ou seja, é preciso dizer o que está acontecendo,

noticiar o fato imediato, inédito; por isso, a linguagem jornalística é rápida, ágil, clara

e simples para atingir o maior número de pessoas que, facilmente, assimilarão a notícia.

( ) Há um título que anuncia o fato a ser informado. Ele serve para chamar a atenção do leitor.

( ) As notícias não podem se resumir a informações sobre os acontecimentos porque podem

perder o modo como seu autor vai encadeando os diferentes elementos apresentados.

( ) A função do texto é informar objetivamente o leitor sobre um acontecimento; o plano de

expressão não tem nenhuma relevância, pois sua finalidade é apenas veicular conteúdos.

( ) Já no primeiro parágrafo, ou lide, o leitor reconhece as informações importantes sobre o

fato principal: o quê, quem, quando, onde, como e por quê.

( ) Os parágrafos e as frases são curtos, claros e objetivos, não deixando dúvida sobre o fato

ocorrido.

( ) Há o uso de palavras com significado exato, isto é, utiliza-se linguagem denotativa.

Língua Portuguesa - 6a série/7o ano - Volume 1

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2. Justifique em seu caderno por que os itens não assinalados não podem ser considerados como

características do gênero notícia. Eles estão mais adequados a que outros gêneros ou tipologias?

!

?

Situação de Apren dizagem 6

Recapitulan do os conteúdos estudados até aq ui

1. Os relatos das rotinas e da vida cotidiana parecem sem imaginação ou criatividade

porque sua função não é contar uma história, mas simplesmente deixar registrada

uma situação vivida por uma pessoa real, em um tempo real, documentando suas

ações. Os relatos não estão a serviço da criação ficcional e, portanto, não se subordinam

àquilo que se espera das histórias: imaginação, invenção, intriga (elementos

essenciais quando se conta uma história oral ou escrita).

2. As narrativas literárias ficcionais não contam fatos reais, como acontece nos relatos.

Elas são inventadas, são escritas com o uso da imaginação. As narrativas têm enredo

e personagens que vão fazendo suas ações e resolvendo desafios até chegar ao final da

história.

Leitura e Análise de Texto

1. Para responder às questões a seguir, retome os relatos lidos e escritos na Situação de Aprendizagem

1.

a) Em sua opinião, a quais gêneros a primeira afirmação se refere?

b) E a segunda afirmação, a que gêneros ela se refere? Dê exemplos.

2. Sob orientação do professor, vocês devem escolher um novo gênero textual do grupo dos relatos,

ou seja, textos que contam fatos reais (por exemplo, crônicas sociais e esportivas).

PESQUISA INDIVIDUAL

Faça uma busca na internet, na biblioteca da escola, no livro didático ou em algum

livro que você tenha em casa, pesquisando sobre o novo gênero textual escolhido pela classe

para compor a roda de leitura.

Leia alguns dos textos encontrados e selecione um que gostaria de ler para a classe.

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3. Comentem os temas tratados nos vários textos lidos por vocês. Que tipo de assunto costuma

aparecer nesse gênero textual escolhido pelo grupo? Não se esqueçam de informar a seus colegas

alguns dados técnicos, tais como: nome do autor e do texto, onde foi publicado, em que ano,

em que livro, jornal ou revista.

LIÇÃO DE CASA

Em uma conversa informal com uma pessoa mais velha (da família, vizinho ou amigo), registre

em seu caderno algum fato importante que tenha acontecido na vida dessa pessoa quando ainda era

criança.

Em seguida, anote os dados relacionados a esse acontecimento em um quadro como o que apresentamos

a seguir, separando cada elemento.

Aconteceu o quê?

Com quem?

Quando?

Onde?

Como?

Por quê?

Oralidade

Retomando a atividade realizada na seção Lição de casa, em grupo, comparem suas anotações

com as dos colegas, verificando se todos os relatos possuem algumas partes semelhantes.

Produção de texto

O professor apresentará a vocês algumas notícias de jornal, sem título.

Sigam estas instruções e desenvolvam as atividades propostas:

• Individualmente, para cada notícia, crie um título que chame a atenção para sua ideia principal.

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• Em grupo, troquem os títulos entre si para comparar o que fizeram: quais contemplam

adequadamente o fato noticiado, causando um efeito de sentido para o leitor?

• Votem nos títulos que vocês acham mais apropriados para representar as notícias lidas.

• Apresentem esses títulos a toda a classe, justificando oralmente o critério de escolha utilizado.

Estudo da língua

1. Nos títulos das notícias de jornais, quais os tempos verbais mais comuns?

2. Por que vocês acham que esses tempos, em geral, são escolhidos pelos autores dessas notícias?

3. O principais tempos verbais utilizados nos títulos das notícias de jornal são os mesmos que os dos

relatos estudados na Situação de Aprendizagem 1? E os versos utilizados no corpo das notícias?

4. Como o estudo dos tempos verbais os ajuda (ou não) a compreender melhor os títulos e lides

das notícias de jornal?

5. Seu professor indicará um texto que apresenta dez palavras que costumam causar muitas dúvidas

na hora de serem escritas.

Sua tarefa será:

• Em grupo, encontrem essas palavras. Vocês não devem usar o dicionário nesta primeira

etapa.

• Apresentem à classe esse conjunto de palavras, explicando por que vocês acham que elas

não foram grafadas corretamente.

• Em seguida, vocês devem recorrer à gramática ou ao livro didático para pesquisar sobre as

regras de ortografia: quando se usa j ou g? Há uma regra para o uso do s ou ss?

• Seu professor selecionará alguns exercícios de sistematização do livro. Resolva-os individualmente.

6. Na sequência, em grupo, retomem os relatos escritos na seção Produção de texto a fim de conferir

se ainda há algum problema com a ortografia nos textos. Cada grupo terá de observar o

texto de todos os integrantes e sugerir as correções ortográficas necessárias.

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